
O bem-estar do policial penal cedido ao Ministério Público (MPRS), Cassiano Uflacker Lutz de Castro, preso preventivamente por suspeita de lavagem de dinheiro, recebe atenção de colegas na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan) 1. De maneira atípica, o agente está separado dos detentos de mesmo perfil, sendo mantido na ala de triagem. Ele nega ter cometido crimes.
Ao chegar no estabelecimento, na segunda-feira (14), Uflacker não precisou vestir uniforme, contrariando as normas da Polícia Penal. Com o passar do tempo, entretanto, eventualmente acatou a vestimento.
Igualmente, Cassiano Uflacker permanece na triagem, junto aos presos trabalhadores e, portanto, divide cela com um destes. Em outras palavras, não utiliza algemas ao circular na unidade.
Na Pecan 1, há galeria de presos oriundos da Segurança Pública, mas o entendimento da gestão é que, ali, o policial penal correria riscos. Isso porque ele atua no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ou seja, poderia ter trabalhado na prisão de outros policiais.
Ademais, desde então, há monitoramento na triagem, incluindo expediente com pagamento de horas extras. O fato é incomum, levando em conta o déficit de efetivo na Pecan.
Ordem informal a servidores
Uma ordem informal, supostamente vinda do Departamento de Segurança e Execução Penal (DSEP), proíbe buscas sobre Cassiano Uflacker nos sistemas de Informações Penitenciárias (Infopen) e Consultas Integradas (CSI). Logo, as consequências podem incluir penalização de servidores na Corregedoria-Geral.
A reportagem contatou a Polícia Penal, questionando sobre o tratamento diferenciado. Na ocasião, também mencionou que a diretora da Pecan 1 é companheira do chefe do Grupo de Segurança Institucional (GSI), que faz a segurança do superintendente da Polícia Penal, Sergio Ilha Dalcol, considerado amigo de Cassiano Uflacker.
Em nota, a instituição diz que os presos passa por procedimentos de segurança, considerando sua situação prisional e as condições necessárias à preservação da integridade física.
O que diz a Polícia Penal
A Polícia Penal do Rio Grande do Sul (PPRS) informa que todas as pessoas privadas de liberdade sob custódia do Estado são submetidas aos procedimentos e protocolos de segurança previstos na legislação e nas normas institucionais, considerando sua situação prisional e as condições necessárias à preservação da integridade física e da segurança da unidade.
Eventuais condutas ou procedimentos inadequados adotados no âmbito das unidades prisionais são apurados pela Corregedoria-Geral da Polícia Penal, além de sofrer fiscalização pelos órgãos externos competentes.
Superintendente presta depoimento
O MPRS convocou Sergio Dalcol a prestar depoimento sobre Cassiano Uflacker, na sexta-feira (18). A oitiva ocorreu na condição de testemunha.
A convocação teve base em suposta amizade do superintendente da Polícia Penal com o investigado. Esta proximidade incluiria a hospedagem de Dalcol, natural de Santa Maria, em um apartamento do colega, em Porto Alegre.
Do mesmo modo, além dele, a convocação incluiu outro homem, que prestava serviços à família do suspeito. Ele também depôs como testemunha.
A reportagem contatou Sergio Dalcol, que respondeu através da assessoria da Polícia Penal. A instituição diz que o superintendente colabora na apuração dos fatos, adicionando que a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) reitera compromisso com a legalidade, transparência e colaboração com a investigação.
Relembre o caso
Lotado no Gaeco, Cassiano Uflacker foi preso em ação dos colegas. Conforme a investigação, o policial penal teria furtado ouro de seu avô. Logo, também segundo apuração do MPRS, cerca de R$ 10 milhões, de um patrimônio total de R$ 18 milhões, podem ter sido ocultados via compra de bens.
O agente penal é, desde 11 de dezembro de 2023, assessor de segurança da Subprocuradoria-Geral de Justiça para Assuntos Institucionais do MPRS, o que inclui o Gaeco. Com renovação do serviço, em 29 de outubro de 2025, teve contrato estendido até 11 de novembro deste ano.
O que diz a defesa
O advogado Brunno Ruschel de Lia Pires, à frente da defesa de Cassiano Uflacker Lutz de Castro, não quis comentar o tratamento dado na Pecan. Todavia, afirma ter dificuldades de acesso aos autos do processo e garante a inocência do cliente.
“Ele fez compras com o próprio dinheiro. Além disso, é evidente que a estimativa de valores do MPRS não faz sentido”, diz Brunno de Lia Pires.
O advogado, igualmente, rebate as alegações do furto de ouro, evitando detalhar o caso. Destaca, entretanto, que o policial penal é alvo de disputas na família.
“Ele é vítima de briga por patrimônio familiar. Nada disso, então, envolve dinheiro público nem desvio de conduta do servidor. Vamos comprovar a inocência dele”, enfatiza Brunno de Lia Pires, que já impetrou habeas corpus.
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Fonte: Marcel Horowitz

