
Mesmo com a decisão de manter a greve, 50% da frota de ônibus que compõe o transporte público urbano de São Leopoldo voltou a circular na manhã desta terça-feira por determinação judicial. Das 6 às 9 horas, trabalhadores, estudantes e famílias que precisavam deslocar entre bairros conseguiram embarcar em linhas específicas para chegar ao destino final. No fim do dia, entre 16h30 e 19h30, os ônibus deverão voltar a rodar na cidade, cumprindo a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-4) anunciada na mediação de segunda-feira.
Pablo Leonardo dos Santos, que aguardava no ponto de ônibus nesta manhã, disse que na segunda-feira se organizou para sair mais cedo, mas admitiu que a paralisação do serviço causa transtornos para quem precisa do transporte público. “Desorganiza toda nossa logística a qual estamos acostumados. O transporte já é rum, sem ele fica ainda pior.” Cecília Fernandes de Matos, que tinha hora marcada nesta manhã para a realização de um exame, deslocou do bairro Campina para o Centro e conseguiu pegar o ônibus no ponto próximo da sua casa. Entretanto, para voltar, ela aguardava um carro de aplicativo. “Já faz mais de meia hora que estou aqui. As linhas estão demorando demais.”
A greve dos trabalhadores rodoviários de São Leopoldo segue firme. Desde as primeiras horas da manhã, dirigentes sindicais e trabalhadores mantiveram posição de mobilização nas quatro garagens, acompanhando a saída dos veículos autorizados pela Justiça. Mesmo com a liminar determinando parte da operação do sistema, a mobilização permanece forte. Pela segunda vez, os trabalhadores rejeitaram a proposta da patronal diante da oferta de 2% de reajuste salarial retroativo ao mês de junho, com os 2,5% restantes do INPC sendo concedidos em novembro. Além disso, foi oferecido reajuste de 2% no vale-refeição a partir de junho, completando 4,5% de aumento no benefício a partir de agosto.
LUTA PELA CORREÇÃO DA DEFASAGEM SALARIAL
O presidente do Sindicato, Wilson Caetano, reforça que a categoria segue mobilizada e consciente da importância deste momento de luta. “Cumprimos integralmente a decisão do Tribunal. A liberação dos portões não foi uma escolha do Sindicato, mas uma determinação da Justiça. O que permanece nas mãos dos trabalhadores é a decisão soberana da assembleia. É a categoria que vai decidir os rumos deste movimento. Sabemos o que queremos nesta greve e seguiremos defendendo uma proposta que represente verdadeira valorização dos rodoviários.”
O Sindicato busca a correção da defasagem dos salários dos rodoviários de São Leopoldo, além da garantia de avanços concretos nos benefícios e nas condições de trabalho, como a valorização do vale-alimentação e a recuperação de direitos históricos, como o descongelamento do quinquênio.


