
O alvo gaúcho da operação nacional que investiga um grupo suspeito de planejar um atentado durante o período eleitoral é um morador de Canoas, na Região Metropolitana. A confirmação foi divulgada pela Polícia Civil gaúcha, que cumpriu um mandado de busca e apreensão no bairro Rio Branco.
Conforme informações, no local foram recolhidos aparelhos eletrônicos e outros objetos que serão periciados pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), responsável pelas investigações. O alvo da ofensiva não chegou a ser preso, mas continuará sendo investigado.
A ação foi realizada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Canoas, com apoio à Operação Rede Interrompida, deflagrada simultaneamente em cinco Estados. A investigação teve origem em um relatório técnico elaborado pelo CIBERLAB, laboratório vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Segundo a Polícia Civil gaúcha, os investigados utilizavam grupos em aplicativos de mensagens e ambientes da chamada “dark web” para fazer referências a uma possível mobilização durante o próximo período eleitoral. As diligências buscam esclarecer a natureza dessas comunicações e eventual planejamento de ações criminosas.
A investigação da PCDF apontava que integrantes do grupo discutiam a possibilidade de realizar um ataque durante um debate presidencial do segundo turno das eleições, incluindo a utilização de explosivos no local do evento.
O delegado regional de Canoas, Cristiano Reschke, destacou a integração e troca de informaçōes realizadas entre as diferentes unidades policiais do Brasil, incluindo agentes que atuam no Ministério da Justiça.
A operação
O grupo investigado por planejar um ataque durante um debate presidencial nas eleições deste ano discutia a invasão de prédios públicos, analisava mapas e plantas arquitetônicas de edificações em Brasília e compartilhava manuais para fabricação de explosivos. Os detalhes foram divulgados nesta terça-feira pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), responsável pela Operação Rede Interrompida, que cumpriu oito mandados de busca e apreensão em cinco estados, entre eles o Rio Grande do Sul.
Segundo a investigação, os alvos têm entre 19 e 31 anos e são suspeitos de integrar um grupo que articulava uma mobilização para o período eleitoral de 2026. As diligências também foram realizadas em Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Pernambuco, com apoio das polícias civis estaduais e do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Conforme a PCDF, as comunicações analisadas faziam referência recorrente a Brasília como destino da mobilização. Entre os conteúdos identificados estão discussões sobre invasão de edificações, escolha de alvos, formação tática, recrutamento de participantes em diferentes estados, análise de mapas, compartilhamento de plantas arquitetônicas e modelos tridimensionais de prédios localizados na região central da capital federal, além de manuais para fabricação de artefatos explosivos.
As investigações tiveram início após o recebimento de um relatório técnico produzido pelo Ciberlab, laboratório vinculado à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). A partir das informações, a Divisão de Prevenção e Combate ao Extremismo Violento (DPCEV) instaurou inquérito policial para aprofundar a apuração.
A Polícia Civil informou que os mandados têm como objetivo preservar provas digitais, apreender equipamentos eletrônicos, identificar possíveis conexões ainda desconhecidas e esclarecer o grau de organização e o estágio de desenvolvimento das ações discutidas pelo grupo.
Até o momento, os investigados são apurados, em tese, pelos crimes de associação criminosa, incitação ao crime, apologia de crime ou criminoso e delitos previstos na legislação antirracismo. Segundo a PCDF, os fatos ainda não foram enquadrados na Lei de Terrorismo, e a responsabilização individual dependerá da análise pericial do material apreendido e da conclusão do inquérito.
Fonte: Guilherme Sperafico/Correio do Povo


