
Após mais de dois dias do temporal que deixou um rastro de danos em Capão da Canoa, no Litoral Norte, moradores ainda aguardam a chegada de telhas para recuperar suas casas, que foram danificadas com a força do vento. De acordo com a Defesa Civil Municipal, foram pelo menos 50 destelhamentos. Além disso, foi feita uma compra de mil telhas pela prefeitura e a previsão é de que até o final da semana cheguem novos materiais.
“Sigo recebendo mensagens de pessoas que ainda precisam de telhas. Mas como não temos, estamos disponibilizando lona. E estamos com uma equipe só, não conseguimos atender o bairro todo. Então estamos pedindo para que as pessoas venham até aqui (na sede da Defesa Civil), para fazer uma ficha e liberar lona para as pessoas”, explica o coordenador da Defesa Civil, Zeca Quadros.
Ele relata que, por conta do temporal que ocorreu recentemente, há duas semanas, as telhas que ainda restavam foram doadas. A chegada do temporal que ocorreu na segunda-feira não era esperado pelo órgão. Morador da rua Ubatuba de Freitas, Leo Laerte Rodrigues, de 48 anos, lembra como foi ver as telhas voarem da casa onde mora.
“Estava dormindo, e ouvi um barulho. Achei que fosse a gurizada atirando pedra na rua. Não tinha começado a chuva e não estava ventando tanto. Sai para os fundos da casa e levantou o teto”, conta. A garagem, uma parte da cozinha e do quarto ficaram destelhados. No último cômodo, as telhas quebraram.
“Está chovendo tudo lá dentro. Consegui tirar algumas coisas pequenas, mas os móveis mesmo, mesa, cadeira, roupeiro e cama molhou tudo. Vai tudo para o lixo, porque como aqui tem maresia, qualquer chuva, o que pegou vai ter que ir para o lixo”, lamenta. Ele está refugiado em uma casa à frente, junto com sua esposa e seu filho, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ele tem expectativa de que consiga retornar à casa em até 15 dias.
Escola foi alagada e destelhada
O Instituto Estadual Riachuelo foi um do prejudicados pelo temporal. Prédios foram destelhados, três árvores caíram e diversas salas foram alagadas. “A gente chegou aqui na segunda-feira pela manhã, e era um cenário apocalíptico. Tinha levantado telhas de diversos pavilhões. Nossos três laboratórios ficaram embaixo d’água”, conta o diretor da escola, Humberto Orcy da Silva. A escola está tentando um recurso emergencial com o governo do Estado para o conserto dos equipamentos que foram afetados.
As aulas estão suspensas até esta quarta-feira, e, para a quinta-feira, serão retomadas de maneira escalonada, já que ainda há muitos espaços danificados. Será feito um levantamento para verificarem os prejuízos, e tentarem recuperar computadores projetores e impressoras. A luz também está funcionando parcialmente, e alguns prédios estão interditados por segurança. A escola deverá ficar, pelo menos, mais duas semanas sem internet. A escola Ursinho Pimpão também teve destelhamento.
Sapos morrem eletrocutados
Em Capão da Canoa, diversos sapos morreram eletrocutados na rua Parque Jardim Botânico, bairro Parque Antártica, após um poste cair e os fios ficarem energizados na rua. A energia foi desligada pela CEEE Equatorial apenas na terça-feira, e os moradores permanecem sem luz no local.
A previsão é de que as equipes retirem o poste ainda nesta quarta-feira. Morador da rua, Valmir Silva de Souza, de 61 anos, está sem luz há mais de dois dias. Os alimentos que conservava sob refrigeração foram estragados. “Agora, tem que comer as coisas rápido antes que estrague. Estamos à luz de velas de noite, para não ficar no escuro”, conta.
Ao percorrer as ruas do município, ainda é possível ver muitos postes inclinados. É o caso da avenida Central, em que dois postes estão suspensos sobre os fios, quase ocupando a rua. A via está bloqueada.
Fonte: Correio do Povo

