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Em Xangri-Lá, cenário é de reconstrução após passagem do temporal

Casa de Fabiane Rodrigues Moller, de 55 anos, onde mora há 20 anos, teve o telhado arrancado pela força do vento | Foto : Alina Souza

Dois dias após o forte temporal que atingiu o Litoral Norte, ainda é possível ver os danos que a força do vento provocou nas ruas do balneário de Rainha do Mar, um dos mais afetados no município de Xangri-Lá. De acordo com a MetSul Meteorologia, os impactos do temporal estão relacionados com as fortes rajadas de vento e, também, com o registro de um tsunami meteorológico no mar.

Entulhos nas calçadas e pedaços de telhas são visíveis em diversos pontos. Há, também, muitos fios soltos e emaranhados. A manhã desta quarta-feira, de tempo firme, é marcada pela reconstrução das residências e estabelecimentos que foram destelhados.

A sensação é de que um furacão passou pela rua Alameda 2 Safira. São diversas telhas e estruturas entulhadas, nas esquinas e em frente às casas. Mesmo que a chuva tenha parado desde ontem, ainda há água acumulada na rua.

Uma casa está completamente destelhada, e as paredes vieram ao chão. Uma das moradoras, Emilly Soares conta que tudo ocorreu em um piscar de olhos. A família está, neste momento, abrigada na cidade vizinha.

“A gente estava dormindo e, por umas 3h30min, foi o primeiro sopro do vento, e já levou tudo. Meio que foi de baixo para cima, porque muita coisa voou e caiu em cima da gente. Estava tudo muito escuro, porque na hora faltou luz. Conseguimos sair com os carros e fomos para a casa da minha avó, na mesma rua. O que conseguimos tirar na hora da aflição foi a geladeira, mas tinha muita madeira, a gente não conseguia andar pela casa”, relata.

Apenas ao amanhecer, foi possível verificar os estragos. “Rompeu a viga, caiu pilares. Não foi só o telhado, foi realmente a estrutura da casa. A gente nem consegue entender como isso aconteceu. No que a gente abriu o olho, já estava tudo no chão”, conta ela. Naquele dia, a família foi atrás de serviços de reparos. Um mutirão de pessoas da comunidade auxiliou a família a retirar tudo de dentro da casa, como colchões e roupas para colocar em sacos.

Os carros da família também foram danificados. “Perdemos alguns espelhos e afundou alguma coisa da lataria”. Os eletrodomésticos estão no sol para serem secados, e tentarão ser ligados posteriormente. A maneira que a casa será reconstruída ainda está sendo avaliada.

Ainda na mesma rua, Geraldo Nunes da Silva, de 88 anos, estava agachado nesta manhã martelando um pilar do portão de sua casa, que também foi derrubado pelo vento. Sua casa foi destelhada, e a água vazou pelas paredes, inundando alguns cômodos. Hoje, sua cama e seu sofá estão levantados para secarem. Na madrugada, uma parede e as telhas do vizinho caiu na sua casa.

“Quase que cai por cima de mim. Parecia um terremoto. Quando ouvi, pensei ‘o que foi isso?’. Também começou a chover no quarto, comecei a tirar o colchão e levantar a cama”. Ele relata que a prefeitura lhe avisou que levaria telhas, mas até agora seu Geraldo não recebeu.

Fabiane Rodrigues Moller, de 55 anos, mora há 20 anos na mesma casa, e nunca havia visto um temporal desse jeito. “Acordamos com o barulho do vento. Estava muito forte, e levantamos para ver o que estava acontecendo. Só o tempo de levantar, saiu voando tudo”. Seu marido e seu filho se refugiaram no banheiro durante o temporal. Na última noite, a família passou nos fundos da casa, em uma parte que ainda não tinha sido destelhada.

Fabiane ainda está avaliando quais eletrodomésticos ainda estão funcionando. Ela recebeu lonas e 10 telhas da prefeitura, mas estima que precisará de 120. Fabiane preocupa-se com a previsão de mais chuva, e pretende colocar ainda hoje.

Os fundos da casa de Tereza Ghellere, de 71 anos, está totalmente ocupado com telhas e estruturas do telhado do seu vizinho. Elas atingiram o telhado dela, e a água começou a vazar nos cômodos. “Quando começou o vento forte, fui fechar a porta e vi cair tudo. Foi horrível.” Ela também precisou improvisar uma cama na sala para poder dormir.

Tereza mora há 19 anos na casa e na praia há 53 anos. “Já tinha dado temporal, mas não igual esse. Foi de apavorar.”

Na rua Paraguassú, uma loja de artigos de praia e uma casa que fica ao lado foram totalmente destelhadas. Ninguém ficou ferido, mas a destruição foi total. Pedaços de telha e cacos de vidro forram o chão.

“Em 5 minutos, acabou com tudo”, relata Dagoberto de Souza, dono da loja. “A gente estava indo para o décimo verão, e a reconstrução vai ser um pouco difícil. Para esse verão, com certeza não vamos conseguir”, estima.

Na casa, morava o cunhado de Dagoberto, quem o avisou do estrago, e que se refugiou na casa do irmão dele. Dagoberto estima um prejuízo de cerca de R$ 200 mil na loja. Alguns objetos do depósito puderam ser salvos, mas eletrônicos ainda serão testados. Ele possui outra loja em Xangri-Lá, onde poderá continuar trabalhando no veraneio. Outras ruas também registraram destelhamentos, como a avenida Diamante e as ruas Amazonita, Alexandrita e Alameda dos Senadores.

A prefeitura contabilizou pelo menos 140 residências atingidas, sendo parte delas de veranistas. Até ontem, foram distribuídos mais de 1,5 mil metro quadrados de lonas e 100 telhas no balneário.

Segundo o coordenador da Defesa Civil do município, também secretário de Mobilidade e Segurança Pública, Wolfgang Erich Trein, não há pessoas feridas com o evento. Nenhuma família solicitou abrigo, e os desalojados estão abrigados em casas de parentes. “Foi muito forte, um vento bastante violento. Já é o segundo dia que estamos entregando telhas para o pessoal. A lista vai crescendo, e a assistência social avisa quem está precisando para a Defesa Civil”, explica.

Fonte: Correio do Povo

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