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Lajeado começa a retomar rotina após recuo do Taquari

Rio Taquari recua e moradores retomam a rotina em meio à lama | Foto: Camila Cunha

Com o rio Taquari de volta ao leito no Vale do Taquari, famílias começaram nesta quarta-feira a deixar o abrigo montado no Parque do Imigrante, em Lajeado, para retornar às casas. A desmobilização começou durante a tarde e ocorre de forma gradual, conforme as residências apresentam condições para o retorno. Até as 14h, 93 famílias, totalizando 241 pessoas, ainda estavam acolhidas no local.

Segundo a secretária de Assistência Social, Eliana Ahlert Heberle, o retorno começou pelas famílias que moram em áreas mais altas e também atende solicitações de moradores que já consideram possível voltar. A previsão é de que a estrutura do abrigo seja mantida durante os próximos dias e encerrada até sexta-feira. “Algumas famílias já desceram para fazer a limpeza das suas casas para, depois disso, retornar”, explicou Eliana.

Segundo a secretária, não há mais resistência dos moradores em deixar as áreas de risco quando necessário. Ela também destacou que equipes de diferentes secretarias seguem atuando de forma conjunta, sob coordenação da Defesa Civil.

Entre os moradores que deixaram o abrigo está a cubana Yaneyse Cajigal Mendoza, de 41 anos. Moradora da rua Borges de Medeiros, ela está há apenas quatro meses em Lajeado, depois de ter passado cinco meses em Curitiba. Esta foi a terceira enchente enfrentada por ela desde que chegou à cidade. “É um sentimento de alegria poder retornar. É a terceira vez que passamos isso”, disse Yaneyse.

Ela espera não enfrentar novamente uma enchente e planeja, no futuro, mudar de endereço. O objetivo também é continuar trabalhando para conseguir trazer para Lajeado o filho, de 16 anos, que permanece em Cuba.

Nas áreas atingidas, entretanto, as marcas da enchente ainda são visíveis. O Parque dos Dick, que na terça-feira estava completamente tomado pela água, amanheceu com barro espalhado pelas ruas e áreas de lazer. Nos bairros afetados, casas fechadas, imóveis danificados e estruturas ainda tomadas pela lama evidenciam o impacto da cheia.

Nos estabelecimentos comerciais, o dia foi de limpeza. No Centro, Marcelinho da Silva Lourenço, de 29 anos, passou a tarde retirando a sujeira de seu posto de lavagem, na rua Alberto Torres, com a ajuda da esposa, Tauane Carolina Bispo, de 25. O imóvel chegou a ter cerca de 1,80 metro de água.

Esta foi a terceira enchente enfrentada pelo estabelecimento somente neste ano. Antes da chegada da água, o casal retirou os equipamentos e materiais do local. “Na segunda-feira de noite vimos que a água estava chegando no parque, então retiramos as coisas para levar embora. É revoltante”, relatou Marcelinho.

Apesar de não ter perdido os principais materiais, o comerciante afirma que cada enchente representa novos gastos com limpeza, água e outros insumos. “Eu sempre tiro tudo de dentro, fica só a sujeira mesmo. Só neste ano foram três”, disse. Mesmo diante das sucessivas cheias, ele afirma que precisa manter o estabelecimento em funcionamento para cumprir o contrato de locação.

Fonte: Correio do Povo

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