
A contratante de um dos vigias investigados por agressão ao professor de balé Cléber Veiga nega homofobia. De acordo com a diretora da empresa Sólidos Equipamentos Infantis, Isabel Cristina Ferraz Sokolnik, Veiga teria invadido o local dos pedalinhos da Redenção, em Porto Alegre, pelas 2h30min do dia 9 de maio, afrontando os seguranças, antes do ocorrido.
À Polícia Civil, Veiga alega discriminação, ao ser xingado com expressões como “não quero saber de veado aqui”. Também relata ter agarrado uma pedra e um pedaço de madeira, como defesa, mas que, após ser convencido pelos vigilantes, largou os objetos, sendo espancado na sequência.
Junto ao funcionário dos pedalinhos, ainda são investigados outros dois, do restaurante Quintal da Redenção. “Fui chamado por um guarda do pedalinho e perguntei o que era. Estava sentado de costas para ele. Aí ele falou que não queria saber de veados na Redenção”, alega Cléber Veiga, em vídeo que pode ser visto aqui.
Veiga tem diversas fraturas e pontos no rosto, além de seis dentes quebrados. Seu ombro direito também está fraturado.
Gestora aponta invasão
Nesta sexta-feira, em entrevista à Rádio Guaíba, disponível aqui, a gestora dos pedalinhos contesta a versão de Cléber Veiga, afirmando que, na data dos fatos, ele aparentava estar alterado e que, além disso, teria provocado os seguranças. Na visão dela, houve agressão mútua.
“Ele [Veiga] estava bem alterado e entrou no estabelecimento. Nosso funcionário abriu a porta e ele estava com um pedaço de pau. Começou um conflito ali e eles foram para a rua, onde nosso funcionário chamou o pessoal. [Veiga] pegou uma pedra e disse que ia arremessar, mas os guris disseram para deixar disso, e ele largou. Depois, arremessou contra um deles. Aí bateram nele”, diz Isabel Cristina Ferraz Sokolnik.
Ferraz, permissionária da Redenção há 26 anos, rebate alegações de ataque homofóbico. “Sempre convivemos muito bem com a diversidade, que é geral na Redenção, como todos sabem. Em dezembro, cedemos os pedalinhos a uma corrida na Parada Livre.”
Defesa contesta lesões
A advogada Joyce Kieling, à frente da defesa dos suspeitos, avalia que testemunhas contradizem o professor de balé. Segundo a advogada, Veiga teria envolvimento em uma briga anterior, sem relação com os seguranças.
“Na semana anterior, de acordo com testemunhas, ele [Veiga] e um motoboy tiveram uma briga. Acreditamos que teria quebrado os dentes nessa ocasião”, pondera a advogada.
Ainda de acordo com Joyce Kieling, não é descartada tentativa de furto, antes da confusão. “Ele se sentiu no direito de invadir [o estabelecimento]. Supostamente, seria uma tentativa de furto. Não há possibilidade de conduta homofóbica.”
Operação Pride
A Delegacia de Combate à Intolerância (DPCI) deflagrou, na quinta-feira (2), a Operação Pride, apenas com mandados de busca. Isso porque os suspeitos respondem em liberdade, pois a Justiça nega os pedidos de prisão preventiva da especializada.
Não há armas nas apreensões, somente uma espingarda de pressão e dois simulacros, além de duas munições de festim, uma munição .45, intacta, um estojo de munição, taser e cassetete. Um dos investigados, 55 anos, tem antecedentes por lesão corporal, violência doméstica, porte ilegal de arma e estupro. Outro, 22, tem passagem por extorsão. O terceiro, 26, não tem registros criminais.
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Fonte: Marcel Horowitz


