
A agenda econômica da semana econômica será dominada por decisões de política monetária no Brasil, nos Estados Unidos, no Japão e no Reino Unido. O ponto central não estará apenas no resultado das decisões, mas principalmente na comunicação dos bancos centrais em um ambiente de inflação ainda pressionada, juros elevados e maior incerteza geopolítica.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidirá a nova taxa Selic na quarta-feira, 17, em um momento em que o mercado avalia se o Banco Central terá espaço para dar continuidade ao ciclo de cortes ou se adotará uma postura mais cautelosa de manutenção. O comunicado será tão relevante quanto a decisão: a escolha das palavras indicará se a autoridade monetária enxerga condições, caso corte, para novas reduções nos juros nas reuniões seguintes ou se pretende reforçar a necessidade de manter a política monetária no patamar atual por mais tempo caso opte pela manutenção.
Antes, o Boletim Focus na segunda-feira, 15, ajudará a medir a evolução das expectativas para inflação e juros. As projeções para o IPCA dos próximos anos (2027 e 2028) seguem no centro da análise, especialmente porque funcionam como referência para a condução da política monetária. A estimativa para a Selic ao fim de 2026 também merece atenção, diante da recente deterioração das expectativas e da aproximação entre as projeções dos economistas e a taxa terminal precificada pelo mercado.
Além do Copom e do Focus, os dados de vendas no varejo e do IBC-Br, que será divulgado na quarta-feira, 17, pelo Banco Central, encerram a fotografia da atividade de abril. Depois dos sinais vindos da indústria e dos serviços, esses indicadores ajudarão a avaliar se a economia brasileira continua mais resistente do que o esperado — fator que pode limitar o espaço para cortes mais agressivos da Selic.
MERCADO AMERICANO
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve deve manter os juros, mas a reunião terá peso adicional por marcar a estreia de Kevin Warsh à frente do banco central americano. O foco estará no comunicado, nas projeções econômicas, na entrevista coletiva, e nos acontecimentos no Oriente Médio. Um tom mais duro reforçaria a prioridade ao combate à inflação e poderia sustentar a percepção de juros elevados por mais tempo, com eventual alta no fim do ano.
Uma comunicação mais branda indicaria maior preocupação com atividade e mercado de trabalho, ainda que a inflação siga como obstáculo para qualquer flexibilização mais clara. Além do Fed, a agenda americana trará dados de produção industrial, vendas no varejo, construção de moradias, pedidos de seguro-desemprego e indicadores regionais de atividade.
Em conjunto, esses números ajudarão a calibrar a leitura sobre a resiliência da economia dos Estados Unidos e sobre o grau de restrição ainda necessário na política monetária. No Japão, a decisão do Banco do Japão será acompanhada de perto em meio à normalização gradual da política monetária.


