
O Rio Grande do Sul continua a figurar na lista de estados em alerta devido ao avanço da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Divulgado nesta quinta-feira (28) pela Fiocruz, o novo boletim InfoGripe aponta que o número de casos continua aumentando em solo gaúcho.
O levantamento, referente à Semana Epidemiológica 20 (período de 17 a 23 de maio), mostra que a capital Porto Alegre está entre as 15 capitais brasileiras em nível de alerta, risco ou alto risco, apresentando tendência de crescimento de longo prazo (últimas seis semanas).
O cenário gaúcho reflete uma tendência nacional: além do RS, outros 19 estados e o Distrito Federal registram alta de SRAG no longo prazo (últimas seis semanas). Rondônia se destaca como a única unidade federativa sem incidência de nível de alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas.
Os vilões do inverno: VSR e Influenza A lideram internações
Segundo a Fiocruz, o panorama atual é impulsionado principalmente pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e pelo vírus da Influenza A. O comportamento de cada um varia pelo país:
- Vírus Sincicial Respiratório (VSR): As hospitalizações seguem em alta em todas as regiões Sul e Sudeste, além de parte do Nordeste e Norte. Por outro lado, o Centro-Oeste já começa a sinalizar interrupção de crescimento ou queda, embora os números absolutos continuem elevados.
- Influenza A: As internações mantêm ritmo de crescimento em toda a região Sul, além de estados como São Paulo, Espírito Santo, Roraima e Tocantins.
- Rinovírus: Tem sido o principal responsável pelo aumento de casos em crianças e adolescentes em estados do Nordeste, Sudeste, além de Amazonas e Santa Catarina.
- Covid-19: Segue em baixa na maior parte do Brasil, mas dá sinais de retomada ou estabilização em alta no Ceará, Maranhão e Pará.
Risco dividido por faixa etária
Os dados laboratoriais da Fiocruz revelam como os vírus afetam diferentes idades:
- Até 4 anos: O aumento de SRAG é impulsionado majoritariamente pelo VSR.
- De 5 a 14 anos: O principal causador das internações é o rinovírus.
- Jovens, adultos e idosos: A Influenza A é a grande responsável pela alta de casos.
Vacinação e prevenção são urgentes
Diante da alta circulação viral, a pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz, alerta para a importância da vacinação dos grupos elegíveis, medida crucial para reduzir casos graves e óbitos.
“A vacina contra o VSR é destinada às gestantes a partir da 28ª semana de gestação e protege o bebê durante os primeiros seis meses de vida. Já a vacina contra a influenza tem como público-alvo idosos, crianças, pessoas com comorbidades, gestantes, puérperas, entre outros grupos de risco”, explica Portella.
Além da imunização, a Fiocruz recomenda reforçar medidas preventivas básicas, como:
- Praticar a etiqueta respiratória (cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar);
- Higienizar as mãos com frequência e evitar o compartilhamento de utensílios pessoais;
- Utilizar máscara e manter isolamento voluntário caso apresente sintomas gripais.
Fonte: Correio do Povo