
O irmão e um amigo do policial militar Cristiano Domingues Francisco, 39 anos, também viraram suspeitos no inquérito que apura o desaparecimento de três pessoas da mesma família em Cachoeirinha, na Região Metropolitana. Antes disso, eram tratados como testemunhas, ao lado da esposa do PM, Milena Ruppenthal Domingues, 28 anos, que passou a ser investigada na última quinta-feira.
Cristiano Domingues está preso temporariamente no Batalhão de Polícia de Guarda (BPG), em Porto Alegre, desde o dia 10 de fevereiro, mas nega qualquer envolvimento no caso. Ele é o principal suspeito do sumiço da ex-companheira, Silvana Germann de Aguiar, 48, e dos pais dela, Isail e Dalmira, 69 e 70, respectivamente, entre os dias 24 e 25 de janeiro.
A Polícia Civil diz que Wagner Domingues Francisco, 30 anos, irmão do PM, teria apagado imagens de câmeras de segurança na casa da mãe dele. Somado a isso, ainda na interpretação da 2ª DP de Cachoeirinha, à frente dos trabalhos, ele é suspeito de fraude processual, pois nega ter alterado as gravações.
O advogado Ricardo Breier, que representa o irmão do PM, foi contatado, mas disse que está com acesso parcial aos autos e que aguarda vistas do processo integral. Depois que isso ocorrer, fará manifestações.
No bojo da investigação, também foi incluído aquele rapaz que levou o namorado para jantar com Cristiano e da esposa no Stop Food Park de Cachoeirinha, na noite de 24 de janeiro, quando a primeira vítima sumiu. Amigo de infância de Milena, ele é suspeito de fraude processual.
A casa desse moço, em Viamão, foi alvo de buscas no dia 5 de março, mas somente a mãe dele estava no imóvel, pois ele fazia companhia para Milena, na residência dela, em Cachoeirinha. Foram apreendidos celular e notebook, além de um videogame, que teria sido emprestado ao filho do PM no mesmo período do desaparecimento da família Aguiar. A criança é fruto do antigo relacionamento de Cristiano com Silvana.
Milena Ruppenthal Domingues é investigada desde a semana passada, sob a justificativa de que ela teoricamente não estaria cooperando com a apuração policial e que manteria contato com o amigo dela, envolvido no inquérito. Outra suspeita da Polícia Civil é que a mulher, que trabalha com informática, teria apagado conteúdos de aparelhos eletrônicos.
Buscas ocorreram na casa da esposa do PM no dia 13 de março, quando foram apreendidos o celular e notebook dela. Esta foi a segunda vez que ela teve telefone e computador apreendidos, sendo a primeira em 10 de fevereiro, após a prisão do marido.
A reportagem ainda insiste no contato, via mensagens e ligações, desde a semana passada, com a advogada Suelén Lautenschleger, que defende a esposa e o amigo de Cristiano Domingues. Vale destacar que ela falou com o Correio do Povo em fevereiro e no início deste mês, enfatizando que a cliente nunca cometeu crimes e que entregou senhas de celular e notebooks à Polícia Civil, cooperando na elucidação dos fatos. O espaço permanece aberto.
Fonte: Marcel Horowitz / Correio do Povo


