
A obra de proteção contra cheias da Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, passou por um teste de instalação de comportas herméticas nas portas e janelas do prédio histórico nesta quinta-feira. A intervenção é executada pela Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi), com participação do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae).
As comportas não ficarão instaladas permanentemente. Segundo o Dmae, serão colocadas quando houver possibilidade de cheia, com o nível do Guaíba acima de 4 metros na região do Gasômetro.
A instalação será feita pelo lado interno das janelas, para preservar as características arquitetônicas do prédio. A estrutura tem como objetivo proteger não apenas o prédio histórico, mas também a cidade, já que a entrada de água pela Usina pode levar à inundação da área urbana, conforme o Dmae.
O prefeito Sebastião Melo esteve durante a vistoria do sistema de proteção contra cheias na manhã desta quinta-feira. Segundo ele, o Gasômetro foi identificado como um dos pontos por onde a água poderia entrar na cidade durante uma cheia.
“Tem dois fatores determinantes: primeiro, é tirar a água da cidade quando chove muito, através do bombeamento nas cotas baixas. E o segundo é não permitir que entre água na cidade”, afirmou.
Iniciada em setembro, a intervenção no Gasômetro é a última obra prevista no sistema de proteção contra cheias do Centro Histórico e deve ser concluída em cerca de 60 dias. O reforço do dique e do muro de proteção já foi realizado, mas ainda faltam ajustes e a instalação de outras comportas.
As estruturas localizadas em pontos mais baixos, considerados mais urgentes, já foram instaladas. As demais, situadas em níveis mais altos, serão instaladas ao longo do prazo previsto para conclusão da obra.
Melo destacou que a instalação das comportas faz parte de um conjunto de intervenções realizadas após a enchente de maio de 2024, quando diferentes pontos do sistema de proteção da Capital foram afetados. Em 25 de setembro, a Justiça condenou o Município de Porto Alegre ao pagamento de R$ 50 milhões por danos morais coletivos causados na enchente, ao reconhecer a existência de omissão específica do Poder Público municipal na adoção de medidas necessárias para prevenir a inundação. A Prefeitura de Porto Alegre afirma, em nota, que pretende recorrer da decisão.
Rios elevam
A vistoria ocorre enquanto o município acompanha a elevação dos níveis dos rios e a previsão de novas chuvas. O Guaíba entrou em alerta de inundação na manhã desta quinta-feira.
As comportas de proteção contra cheias instaladas nas galerias que ligam os arroios Passo das Pedras e Areia ao rio Gravataí, na Zona Norte de Porto Alegre, foram fechadas preventivamente nesta quarta-feira.
Melo afirmou durante a vistoria que as ilhas estão entre os pontos que exigem maior atenção devido à possibilidade de aumento dos níveis dos rios. Além da intervenção no Gasômetro, a prefeitura trabalha em medidas de proteção em outras áreas da cidade. Entre elas está a região do Jardim Serraria, na zona Sul, onde foi realizada uma intervenção provisória. Segundo Melo, há previsão de uma obra estimada em R$ 400 milhões no local.
Fonte: Correio do Povo

