
Eldorado do Sul, na região Metropolitana, mais uma vez vê em parte do município o avanço das águas, em partes como os bairros Cidade Verde, Chácara e Picada, com três pessoas, uma mulher e duas crianças, já no abrigo Bamerindus, e mais um senhor que estaria em deslocamento na manhã desta quinta-feira. A Defesa Civil Estadual mantém o alerta laranja, de risco alto de inundação, era vigente até às 8h30min de hoje. Conforme o monitoramento da Defesa Civil Municipal, dois locais estavam em cota de inundação.
Na Picada, a marca chegou a 1,65 metro por volta das 11h30min, 15 centímetros acima da cota de inundação; já no Assentamento Irga, 3,54 metros, 44 centímetros sobre a marca inicial de inundação. Nas primeiras horas do dia, tanto o rio Jacuí quanto o Guaíba desaceleraram a subida, causando certo alívio aos moradores. Nos outros dois pontos monitorados, um estava em cota de alerta, no Balneário Sans Souci, em cota de alerta e tendência estável, enquanto na prainha do bairro Itaí a cota era de atenção, perto da marca de alerta.
“Está bem difícil e complicado. Não sei o que vai ser de nós, a gente constrói, mas acaba perdendo depois de novo. Se Deus quiser, vamos tirar mais uma (inundação) de letra. Em 2024, perdemos muitas coisas, mas a vida da gente é o principal”, disse a aposentada Elvira Prado, moradora da área, enquanto observava, com ar de desolação, a água invadir trechos da rua Z, uma das primeiras por onde ela entra a cada enchente mais forte. Outros habitantes circulavam trajando botas e jardineiras, e havia quem se arriscasse de carro, motocicleta e bicicletas.
Um veículo da Defesa Civil Municipal auxiliava os moradores que quisessem deixar as residências, enquanto um caminhão distribuía pallets de madeira nas casas. Em Guaíba, as áreas ribeirinhas próximas ao Guaíba estão em aviso de atenção, segundo a prefeitura, com alerta vigente até o meio-dia deste sábado. No terminal hidroviário da CatSul, na área central, o nível continuava em elevação, assim como no píer do bairro Alvorada, próximo da unidade da empresa CMPC.
Ali, a diarista Janaína Pinheiro Pires, que vive na área, observava a grande quantidade de troncos de madeira junto à orla. Há um perigo adicional neste local, pois o avanço do Guaíba em enchentes anteriores chegou a quebrar calçadas, trazendo perigo real para moradores e visitantes próximos, que aproveitam momentos de lazer para frequentar o espaço em finais de semana e épocas de veraneio.
“A maioria de quem morava aqui já saiu. A gente espera que não aconteça isto (inundação) de novo. Muita gente fica bem nervosa”, disse Janaína. Segundo ela, com frequência a administração municipal vai ao local e recolhe galhos e executa a poda de árvores. “Acho que tem bastante demanda e pouco maquinário. Mas estão na luta”, acrescentou a moradora.
Fonte: Correio do Povo

