
Mais de 5 mil estruturas que integram os sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário da Corsan estão no radar de monitoramento da companhia nos 317 municípios atendidos. São estações de tratamento, poços profundos, captações, reservatórios, estações de bombeamento e 112 barragens incorporadas à concessão. O acompanhamento combina inspeções em campo, telemetria, automação e operação 24 horas pelo Centro de Operações Integradas (COI).
A estratégia ganhou ainda mais relevância diante da nova realidade climática do Rio Grande do Sul, de acordo com a presidente da Corsan, Samanta Takimi. A ocorrência recente na Barragem Arroio São Luiz, em São Marcos, mostrou na prática a importância desse trabalho. Após as fortes chuvas, equipes da Corsan identificaram fissuras na estrutura e acionaram o Plano de Ação de Emergência.
A operação reuniu monitoramento da barragem e do terreno, drenagem controlada, avaliações técnicas e reparos, além de ajustes no sistema para preservar o abastecimento da população. Em quatro dias, foi possível dimensionar o problema, fazer os ajustes e garantir que as famílias do entorno pudessem voltar para casa em segurança.
“São Marcos mostrou a importância de conhecer nossas estruturas e estar preparado para agir. Não podemos controlar a intensidade dos eventos climáticos, mas podemos monitorar, antecipar cenários, mobilizar recursos e responder com rapidez. Essa capacidade precisa fazer parte da forma como pensamos o saneamento daqui para frente”, afirmou.
O acompanhamento ocorre em diferentes níveis. As inspeções visuais realizadas pelas equipes permitem verificar as condições físicas das estruturas e identificar alterações que exijam avaliação. Esse trabalho é complementado pela tecnologia. Segundo a presidente, a Corsan investiu mais de R$ 100 milhões em telemetria e automação aplicadas a poços, estações de bombeamento de água e esgoto, reservatórios, medidores de vazão e pontos de pressão.
Parte das informações geradas por este acompanhamento converge para o COI, que monitora a operação dos sistemas 24 horas por dia. Dados como pressão, vazão e funcionamento de equipamentos permitem identificar alterações no comportamento dos sistemas, orientar intervenções e reduzir o tempo de resposta das equipes.
Aprendizados das enchentes
O reforço do monitoramento faz parte de um movimento iniciado a partir dos aprendizados das enchentes de 2024. O evento mostrou que o desafio do saneamento no Rio Grande do Sul não se resume à expansão da infraestrutura necessária para a universalização. É preciso, ao mesmo tempo, preparar sistemas existentes e novas estruturas para resistir, responder e se recuperar diante de eventos climáticos cada vez mais severos.
“Temos o compromisso de recuperar um déficit histórico de saneamento e universalizar os serviços, mas precisamos fazer isso olhando para a realidade climática que o Rio Grande do Sul vive hoje. Expandir e tornar os sistemas mais resilientes são desafios que devem caminhar juntos. É uma nova forma de planejar a infraestrutura de saneamento”, destacou Samanta.
A tecnologia é uma parte desse processo. São as equipes que realizam inspeções, interpretam dados, avaliam cenários e transformam informação em decisão. A combinação entre presença em campo, conhecimento técnico e acompanhamento em tempo real amplia a capacidade de prevenção e resposta da companhia diante de situações.
Fonte: Correio do Povo

