
Ocupando praticamente metade da área total do Rio Grande do Sul, a Metade Sul tem o seu potencial agropecuário e logístico. Porém, alguns gargalos têm impossibilitado o desenvolvimento econômico dos municípios que compõem a região geográfica e socioeconômica.
O assunto foi discutido na reunião-almoço da Federasul, nesta quarta-feira, com a presença do presidente da Federação da Agricultura do RS (Farsul), Domingos Velho Lopes; do presidente da Frente pelo Desenvolvimento da Região da Campanha, Eraldo Vasconcelos; presidente do Sindicato da Mineração de Goiás e Distrito Federal Luiz Antonio Vessani e pela presidente do Sindienergia-RS, Daniela Cardeal.
Foram apontados como principais desafios as restrições da Faixa de Fronteira, que compreende 150 quilômetros de largura ao longo dos limites terrestres com a Argentina e o Uruguai e abrange 197 municípios gaúchos. As restrições e controles de terra da faixa, com o objetivo de garantir a soberania nacional e o controle estratégico, passam pelo crivo do Conselho de Defesa Nacional e interditam 60% do território gaúcho.
A pauta tem sido debatida pelos representantes da Frente pelo Desenvolvimento da Região da Campanha, que buscam o desenvolvimento socioeconômico da Metade Sul do Estado e apontam como uma das demandas mais urgentes a necessidade de mudanças na Lei que rege as ações na Faixa de Fronteira com países vizinhos.
Lopes destacou, principalmente, os potenciais da agricultura do Estado a nível nacional, com destaque para o baixo carbono, e que o desenvolvimento da Metade Sul precisa ser trabalhado sob o ponto de vista do tripé social, ambiental e econômico, e principalmente com segurança e tecnicidade. Envolvendo os diferentes poderes e as entidades. “O Brasil tem a grande oportunidade sob o ponto de vista alimentar, ambiental, energético, de biocombustíveis. E essa oportunidade só vai se tornar uma realidade se nós tivermos segurança jurídica, Estado mínimo e oportunidades”, comentou.
Falando especificamente sobre a Faixa de Fronteira, Vasconcelos lembrou que as restrições impostas afetam empreendimentos que não podem chegar à região, principalmente os voltados à área de eliminação. Ele ressaltou o esforço da Frente pelo Desenvolvimento da Região na Campanha de tentar mudar a Lei. Vasconcelos lembrou que há um Projeto de Lei recente no Senado que discute a redução da faixa. “Não mexe em outras coisas, nos direitos dos funcionários públicos, nos Ministérios de Defesa, nada. Apenas facilita e flexibiliza a instalação de projetos”, pontuou.
“Como uma região que foi a mais rica do Brasil, que sustentou a metade do Norte, ficou pobre? Mas ela não é pobre de recursos. Ela é pobre de ações e, muitas vezes, de mentalidade. Ela tem recursos que, hoje, poucas regiões do Brasil têm. Precisamos fazer com que essa Metade gere riqueza, inclusive para sustentar a dívida que o Estado tem que começar a pagar a partir do ano que vem”, acrescentou Vasconcelos.
Vessani também ressaltou os prejuízos com as restrições para o desenvolvimento de projetos e parcerias entre as fronteiras. Em relação à mineração, ele trouxe o exemplo do que a China vem fazendo com seu projeto de governo para a segurança de reservas mineiras e de compras de outros países, inclusive do Brasil. Para Vessani, o Brasil precisa deixar a “dicotomia de lado” e de ser “fragmentado”. “Tenho o Ministério Público, o meio ambiente e as indústrias. Cadê o projeto que junta tudo isso? Por que a gente não consegue sentar na mesa e chegar em um acordo que seja bom para a sociedade? Esse é o grande desafio nosso.
Cardeal destacou o potencial eólico da região. Segundo a presidente do Sindienergia-RS, 90% dos projetos de geração eólica para serem construídos no Estado estão na zona da Fronteira Oeste. Dois projetos foram anunciados para o ano que vem. Ao todo, serão investidos cerca de R$ 8 bilhões para os projetos, que devem ser entregues até 2031.
“São investimentos robustos, investimentos organizados, construções muito mais ágeis. Construções que, quando a gente pensa no caso do Rio Grande do Sul em contraponto com o Nordeste, é um outro polo de gerador eólico. Aqui, nós não temos movimentos contrários a instalações de parques eólicos, principalmente de proprietários ou de representantes de áreas cobertas com esses projetos.”
Fonte: Correio do Povo


