
Relator do projeto do Orçamento-Geral do Estado para 2027, o deputado Cláudio Branchieri (PL) afirmou que o déficit para o ano que vem pode chegar a R$ 6,3 bilhões, valor superior ao estimado pelo atual governo, de R$ 4,8 bilhões. Ele entregará seu parecer na Comissão de Finanças da Assembleia dia 9. “O atual governo tem a síndrome dos orçamentos fictícios”, disse Branchieri, em entrevista ao programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba.
Branchieri elencou uma série de pontos que geram preocupação no futuro governo. Entre eles, a rejeição de dois dos três ativos apresentados à União nas negociações em torno do Propag. “O projeto do orçamento conta como certa a aceitação dos ativos, mas o uso de uma cota do Fundo de Participação dos Estados, que depende de lei aprovada pelo Congresso no primeiro semestre de 2027, e a dívida tributária da Corsan, não foram aceitos e estão em negociação. Acho que o atual governo apostou na aceitação”, disse.
Ele mencionou ainda que o Rio Grande do Sul está inadimplente no Regime de Recuperação Fiscal pois não cumpriu a regra do teto de gastos. “Se descumprirmos de novo, estaremos fora do regime antes de assinar o Propag. Ou seja, ficaremos em um limbo e sofreremos sanções”, afirmou o deputado, não descartando que o futuro governo tenha de ingressar no Supremo.
Sobre a possibilidade de atrasos nos salários dos servidores, Branchieri foi cauteloso, mas reforçou que o cenário é complexo. O deputado mencionou que o SIAC ainda não foi acessado, mas que há 15 dias havia cerca de R$ 2 bilhões em caixa, o que corresponde a mais ou menos uma folha. “E estamos às vésperas do pagamento do 13º. Para poder ter alguma tranquilidade, precisaríamos de um depósito correspondente a duas ou três folhas. Criamos um observatório na transição para acompanhar as informações diariamente. Eduardo Leite vai dizer que está tudo certo. Ele até mencionou dificuldades, mas não já na entrada do governo. Não vamos governar olhando para trás, mas o povo gaúcho precisa saber o Estado que estamos recebendo”, destacou.
O parecer sobre o projeto do orçamento será votado na Comissão de Finanças dia 9. A análise no plenário da Assembleia ocorrerá em 24 de novembro.
Fonte: Taline Oppitz

