
O juiz Francisco Luís Morsch atendeu ao pedido do Ministério Público (MPRS) sobre envio de ofícios à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS) após defesas terem abandonado plenário no júri dos acusados de matar a estudante Sarah Domingues e o comerciante Valdir dos Santos Pereira, 28 e 53 anos, respectivamente, em Porto Alegre. A dissolução do Conselho de Sentença ocorreu na 1ª Vara do Júri, na noite de 17 de setembro, mais de dez horas após o início do julgamento.
Os réus são Leonardo da Silva Mallet, o Gigio, 57 anos, Irineo Lopes Kaiper, 53, e Jessé Gonçalves Kaiper, 26. Eles estão presos preventivamente desde fevereiro de 2024, mês seguinte ao crime. Todos respondem por duplo homicídio qualificado.
Logo, no júri, o abandono de plenário começou com o advogado Nilson de Souza Gaya, que representa Gigio, alegando ofensas por parte de uma testemunha. Depois, igualmente, outro réu, representado por Defensoria Pública, dispensou seus defensores.
Entretanto, de acordo com a promotora Lúcia Helena Callegari, à frente da acusação, as defesas já tinham solicitado a dissolução do júri, mas o magistrado negou o pedido. Assim, ela é uma das responsáveis na ação que oficiou a OAB.
“Abandono de plenário é desrespeito às famílias das vítimas, e não recurso. Se uma testemunha disse algo que as defesas não gostaram, poderíamos ter isso abordado nos debates. A ordem judicial de manter o júri nunca poderia ter sido desrespeitada”, afirmou Lúcia Helena Callegari.
Relembre o crime
Em 23 de janeiro de 2024, Sarah Silva Domingues, aluna do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), morreu após ter sido alvejada com pistola na rua do Pescador, na Ilha das Flores, bairro Arquipélago, em Porto Alegre. Ela estava em frente ao mercado de Valdir dos Santos Pereira, também baleado e morto no ataque.
De acordo com o MPRS, o comerciante morreu por não aceitar as extorsões de uma facção na Ilha das Flores. Já a estudante, fazia Trabalho de Conclusão de Curso no local, sendo morta simplesmente por estar ali.
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Fonte: Marcel Horowitz

