
Foi identificado como Paulo Fernando Oliveira Rodrigues, 19 anos, o segundo dos mortos a tiros no bairro Mário Quintana, na zona norte de Porto Alegre, nessa quinta-feira. Ele chegou a receber atendimento, junto a outro homem, 22, também baleado, que segue no hospital. De apelido Paulinho, era cunhado de João Vittor Veiga Silveira, o JV, 16, que morreu no local.
O sepultamento das vítimas foi neste sábado, quase dois dias após o ataque, registrado às 20h10min, na rua Seis de Novembro, Vila Safira, quando foram alvo de três atiradores, que fugiram em um carro branco. Ninguém havia sido preso até o momento desta publicação.
O crime seria retaliação às mortes de Gabriel Becker de Farias e Therick Eduardo da Cruz Melo, 30 e 25 anos, na terça-feira (23), alvejados na rua Berlim, na Vila Pedreira, bairro Cristal, no Complexo da Grande Cruzeiro. Ali, o mais velho teria ido cobrar dívidas de aluguel, acompanhado do outro, que era sobrinho de um ex-líder da facção V7.
Na data, a Força Tática do 1º Batalhão de Polícia Militar (BPM) prendeu um homem e duas mulheres e apreendeu um adolescente. Eles são suspeitos de participação na emboscada, atraindo as vítimas. Os atiradores não foram localizados. Seriam da facção Bala na Cara.
Desde então, em pouco mais de 24 horas, entre as noites dessa quinta e sexta-feira, a Capital teve sete assassinatos. Os casos, desconfia a Polícia Civil, decorrem do duplo homicídio na Cruzeiro.
Triplo homicídio no Passo das Pedras
Pelas 2h30min dessa sexta-feira, Lauren Eduarda Rodrigues Borba, 20 anos, Luiz Fernando Figueiredo de Souza e mais um homem, ainda não identificado, foram executados em uma casa na rua Antônio Vilma Lago, no bairro Passo das Pedras, o Pedrinhas. Eles seriam da facção Família do Sul, que é aliada aos grupos V7 e Anti-Bala.
O triplo homicídio teria sido revanche do ataque na Vila Safira.
Execução em praça na Vila Jardim
Também na sexta, próximo às 11h40min, Eduarda da Graça Machado, 33 anos, foi executada na Praça Doutor Baltazar de Bem, no bairro Vila Jardim. Os atiradores estavam em uma motocicleta.
Ela teria ligação com o grupo Bala na Cara. Teria morrido como revide do triplo homicídio no Pedrinhas.
Assassinato no bairro Aparício Borges
Ainda na sexta-feira, pelas 22h, Diogo Silva das Neves, 24 anos, foi morto a tiros e pedradas no bairro Coronel Aparício Borges, na zona leste. Ele tinha antecedentes criminais e seria vinculado à facção V7.
O crime ocorreu na Travessa das Camélias, próximo ao numeral 316, área da Pedreira. De acordo com moradores, dois homens tentaram alvejar o sujeito com pistola, mas a arma falhou, havendo luta corporal.
Em nova tentativa de ataque, a vítima acabou sofrendo disparos na cabeça, após receber golpes com pedra na nuca. Seus algozes fugiram em uma motocicleta. Ninguém havia sido preso até o momento desta publicação.
Confira o vídeo da ocorrência no bairro Aparício Borges:
Homem foi morto a tiros e pedradas no bairro Coronel Aparício Borges, em Porto Alegre – Imagens: Marcel Horowitz / Rádio Guaíba
Protocolo das Sete Medidas Contra Homicídios
O Departamento de Homicídios (DHPP) acionou o Protocolo das Sete Medidas Contra Homicídios, que tem base na teoria da dissuasão focada e visa reduzir crimes contra a vida por meio da repressão seletiva de pessoas, no caso, as responsáveis por assassinatos. A ação ocorre em conjunto com Brigada Militar e Polícia Penal.
A ideia é influenciar os mandantes para que não provoquem mortes, combinando a aplicação da lei com outras medidas, como a asfixia financeira de facções, operações de saturação e a transferência de presos. O criador da técnica foi o criminologista norte-americano David Kennedy.
Veja também
- Aldo Rebelo fala sobre OVNIs à Rádio Guaíba: “Se deslocam em velocidade que máquinas estão distantes de alcançar”
- Líder de facção morto no Stok Center de Canoas cumpria pena domiciliar; Preso integra ex-grupo da vítima
- “Remoção a hospital”, diz registro de líder de facção desaparecido da Penitenciária Modulada de Charqueadas
- MPRS investiga integrante de facção que usava registros de pessoas falecidas para criar identidades falsas
Fonte: Marcel Horowitz


