
O governador do Estado Eduardo Leite classificou como “pontual” a sequência de dez homicídios ocorridos em Porto Alegre entre os dias 23 e 29 de junho. Durante agenda em Alvorada, na Região Metropolitana, nesta quinta-feira, Leite lembrou que, em todo o primeiro semestre, o Estado registrou redução no número de homicídios na comparação com o mesmo período de 2025.
“Você não pode pegar uma situação pontual e dizer que há um problema grave. Mesmo com o episódio que tivemos na semana passada, que aparentemente ainda está sendo investigado, e cuja correlação entre os crimes também é apurada, o mês de junho deste ano terá registrado algo entre 15% e 20% menos homicídios do que no ano passado, mesmo considerando esse episódio isolado”, disse.
Os homicídios ocorreram em diversas regiões da Capital, e a suspeita é de que estejam ligados a uma guerra entre facções. “Claro que esse episódio preocupa e o Estado age sobre ele. Colocamos imediatamente em prática o protocolo de medidas para situações como essa. Os grupos criminosos sabem que o Estado está agindo, e nós buscamos restringir sua possibilidade de atuação. Ainda estamos avaliando quais foram as condições que levaram a isso, mas não dá para isolar essa situação de alguns dias e tentar construir um contexto geral de agravamento da criminalidade no Estado, porque essa não é a realidade”, afirmou Leite.

Sequência de homicídios
A sequência de execuções registrada em Porto Alegre de 23 a 29 de junho deixou dez mortos em diferentes bairros da Capital. A onda de violência começou com o duplo homicídio de Gabriel Becker de Farias, de 30 anos, e Therick Eduardo da Cruz Melo, de 25, na Vila Pedreira, no bairro Cristal. Segundo a investigação, o crime teria sido cometido pela facção Bala na Cara. Nos dias seguintes, ocorreram um ataque que matou dois jovens no bairro Mário Quintana, uma chacina com três vítimas no Passo das Pedras, além de outras duas execuções, uma na Vila Jardim e outra no bairro Coronel Aparício Borges.
A polícia ainda apura se a morte de Jaider Torrão Ferreira Júnior em frente a uma clínica no bairro Santana também está relacionada à mesma sequência de crimes. Embora a Polícia Civil ainda não confirme oficialmente que todos os homicídios estejam interligados, a principal linha de investigação aponta para uma sucessão de represálias entre facções criminosas rivais que disputam território em Porto Alegre.
Protocolo resulta em prisões
O reforço no policiamento foi colocado em prática por meio do Protocolo das Sete Medidas de Enfrentamento aos Homicídios. A ação integrada entre Brigada Militar, Polícia Civil e Polícia Penal já resultou na prisão de pelo menos 22 pessoas em Porto Alegre. O balanço parcial da Operação Saturação, realizada dentro do Protocolo de Dissuasão Focada, contabilizou ainda a apreensão de três adolescentes e a retirada de oito armas de fogo de circulação entre os dias 26 e 29 de junho.
Conforme levantamento do Comando de Policiamento da Capital (CPC), da Brigada Militar, foram realizadas quatro prisões na sexta-feira (26), sete no sábado, cinco no domingo e outras seis na segunda-feira, totalizando 22 presos. No mesmo período, também foram apreendidos três adolescentes. As operações resultaram ainda na apreensão de oito armas de fogo — quatro pistolas, três revólveres e uma submetralhadora —, além de munições, drogas e outros materiais utilizados por organizações criminosas.
Entre as medidas adotadas está a saturação policial nas regiões onde ocorrem homicídios. O objetivo é ampliar a presença ostensiva para impedir novos ataques e evitar possíveis represálias entre grupos rivais. Ao mesmo tempo, a Polícia Civil realiza uma investigação intensiva, utilizando informações produzidas pelos serviços de inteligência da Brigada Militar para identificar rapidamente os responsáveis pelos crimes e, principalmente, a facção envolvida.
Fonte: Renê Almeida / Correio do Povo


