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Ministro inicia projeto de complexo de saúde inteligente de R$ 1,9 bilhão do GHC em Porto Alegre

Padilha esteve em Porto Alegre para anúncio de investimentos no Estado – Foto: Mauro Schaefer / Correio do Povo

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve em Porto Alegre nesta terça-feira para dar início à estruturação do Novo Complexo de Saúde Inteligente do Grupo Hospitalar Conceição (GHC). Com investimento previsto de R$ 1,9 bilhão, o projeto é considerado pelo governo federal o maior e mais amplo entre os quatro empreendimentos de hospitais inteligentes atualmente conduzidos pelo Ministério da Saúde no Brasil.

O projeto prevê 750 leitos, 43 salas cirúrgicas, infraestrutura para procedimentos robóticos, 70 leitos de UTI adulto e 70 leitos de UTI pediátrica e neonatal. Todos os atendimentos serão realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A expectativa é ampliar entre 20% e 25% a capacidade de atendimento do GHC.

A iniciativa busca contribuir para a reorganização e modernização da infraestrutura hospitalar do Grupo, abrangendo os hospitais Fêmina, Criança Conceição e Cristo Redentor. O projeto também inclui um prédio destinado ao ensino, pesquisa e inovação, além de uma nova central de logística e abastecimento farmacêutico, totalmente automatizada e com robótica logística para atender as 23 unidades do GHC, além de um grande centro ambulatorial. “Na prática, três hospitais hoje passam a ter uma estrutura mais digna, com mais qualidade, com mais capacidade de atender seus pacientes e formar os profissionais”, disse Padilha.

Do investimento total, R$ 1,5 bilhão será destinado à construção e à estruturação física do complexo, que será planejado para receber toda a infraestrutura tecnológica necessária a um hospital inteligente. Ao todo, os cinco prédios previstos terão cerca de 100 mil metros quadrados de área construída.

A estruturação será conduzida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com apoio de consultorias especializadas e participação de parceiros internacionais, dentro do modelo de parceria público-privada (PPP). A previsão é de aproximadamente 12 meses de trabalho até o leilão, que definirá o parceiro privado. A expectativa é que as obras comecem no fim de 2029 e que parte dos serviços seja inaugurada até 2030.

No modelo de PPP, o empreendimento continuará sendo uma empresa pública, com gestão do GHC e profissionais de saúde vinculados ao Grupo. A participação privada será voltada à construção da estrutura, aquisição e manutenção dos equipamentos e parte das atividades administrativas e de funcionamento do complexo.
Entre os quatro projetos de hospitais inteligentes em desenvolvimento no país, Padilha afirma que o empreendimento gaúcho se diferencia pela amplitude. “Este é o projeto mais amplo. De todos eles é o que integra saúde da mulher, saúde da criança, terapia intensiva, unidade de queimados, trauma. Além disso, parte de três hospitais já existentes, é ganho de qualidade em serviços que já existem”, afirmou.

Além do ministro, estiveram presentes o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o diretor-presidente do GHC, Gilberto Barichello, o secretário municipal da Saúde, Fernando Ritter, representando o prefeito, e os presidentes dos Conselhos Nacional, Estadual e Municipal de Saúde.

O que é um hospital inteligente?
O novo complexo do Grupo Hospitalar Conceição será estruturado com equipamentos e sistemas conectados em tempo real, permitindo o compartilhamento de informações entre profissionais e serviços. A proposta também prevê o uso de inteligência artificial para agilizar diagnósticos, acompanhar pacientes, melhorar a gestão e reduzir filas.

Na prática, a tecnologia permitirá que profissionais acompanhem remotamente a evolução dos pacientes e tenham acesso aos dados necessários para o atendimento em diferentes pontos do hospital. O modelo também prevê integração com outros serviços de saúde, incluindo a rede de atenção primária, por meio do compartilhamento de dados e prontuários eletrônicos.

Um exemplo já em funcionamento no GHC é uma UTI inteligente integrada ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Os dados do paciente são enviados à equipe hospitalar ainda durante o atendimento da ambulância, permitindo que o hospital se prepare para recebê-lo.

Segundo Padilha, experiências internacionais também mostram o potencial da tecnologia para acelerar diagnósticos. Em uma estrutura visitada pelo governo, o uso de inteligência artificial teria reduzido de duas semanas para 48 horas o tempo necessário para concluir determinados diagnósticos de câncer. “Estamos vivendo uma revolução tecnológica na saúde que aqui no Brasil vai ser liderada pelo SUS. Quando ela é liderada pelo SUS, significa que todo o povo brasileiro vai poder ter acesso”, afirmou o ministro.

Fonte: Camila Mendes / Correio do Povo

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