
Deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, a Operação Caput Serpentis busca atingir uma das estruturas que permitem a manutenção de uma organização criminosa com base no bairro Bom Jesus, em Porto Alegre. A investigação tenta identificar como funciona o financiamento e a movimentação de recursos utilizados pelo grupo.
A ofensiva cumpre 125 mandados de busca e apreensão e 33 de prisão preventiva em cinco estados e também alcança integrantes que já estão presos. Parte das ordens de prisão foi cumprida em unidades do Sistema Penitenciário Federal e em presídios de diferentes estados.
Segundo a Polícia Civil, a presença de alvos já custodiados evidencia o exercício de comando e a articulação do grupo criminoso, mesmo a partir do ambiente carcerário. O foco da operação está justamente no que ocorre por trás da atuação dos integrantes responsáveis pelas ações criminosas.
Conforme a Polícia Civil, as diligências procuram reunir provas sobre a promoção e o financiamento da facção, além de possíveis mecanismos utilizados para lavagem de capitais.
Durante as buscas, os investigadores procuram documentos societários, procurações, contratos e comprovantes de transações financeiras. Também estão entre os materiais procurados valores em espécie, aparelhos eletrônicos, armas de fogo e drogas.
A operação foi batizada de Caput Serpentis, expressão em latim que significa “cabeça da serpente”. Segundo a Polícia Civil, o nome representa a estratégia de alcançar o núcleo de comando e a estrutura financeira da organização, em vez de concentrar a ofensiva apenas nos integrantes que atuam diretamente nas ruas.
No Rio Grande do Sul, a operação mobiliza 342 policiais civis e 115 viaturas do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), por meio da Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Drcor), juntamente com a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e o Gabinete de Recuperação de Ativos (Grapi). A ofensiva conta ainda com apoio das Polícias Civis de Goiás, Tocantins, São Paulo e Santa Catarina.
A ação integra a Operação Nacional da Renorcrim (Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas), coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
Fonte: Guilherme Sperafico/Correio do Povo


