
Prestes a completar uma semana, a investigação da morte do menino de 3 anos espancado pelo pai em Viamão busca reconstruir o histórico da família, antes da chegada ao Rio Grande do Sul. Entre as principais frentes de apuração está a consulta feita à Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol).
Até o momento, não há qualquer confirmação de que o norte-americano, de 33 anos, tenha registros criminais em seu país de origem, ou, até mesmo, em eventuais passagens por outras nações. O objetivo da consulta é justamente esclarecer seu histórico antes de ele se estabelecer no Brasil, onde vive desde 2017.
Paralelamente, a Polícia Civil também aguarda documentos referentes ao período em que a família morou em São Paulo e Santa Catarina. Nesses estados, houve registros envolvendo suspeitas de maus-tratos contra os filhos, sendo que, em Santa Catarina, o Conselho Tutelar chegou a acompanhar a situação após denúncias de vizinhos.
Segundo a delegada responsável pelo caso, Luana Medeiros, a investigação segue, neste início de semana, por uma fase de análise documental e de produção de provas. “O inquérito policial agora segue para uma fase de análise dos documentos recebidos em resposta aos ofícios encaminhados, oitivas de testemunhas, conselheiros tutelares, profissionais médicos, recebimento das perícias e demais diligências policiais cabíveis”, afirmou.
Parte da documentação ainda depende de autorização judicial para compartilhamento entre órgãos, enquanto outra já foi solicitada diretamente às instituições competentes. Até esta terça-feira, esses materiais, incluindo o parecer da Interpol, ainda não haviam sido recebidos pela Polícia Civil.
Além da consulta à Interpol, os investigadores pretendem confrontar as informações dos órgãos de proteção à infância dos estados por onde a família passou. O Ministério Público do Rio Grande do Sul já informou que uma das hipóteses analisadas é que o casal mudava de cidade à medida que surgiam questionamentos sobre a situação das crianças. A hipótese também foi apresentada pelos advogados de defesa da mãe, no final da semana passada, em entrevista ao Correio do Povo.
Moradores dos Estados Unidos, o casal chegou ao Brasil há cerca de uma década. Sobre o homem, nascido no país da América do Norte, ainda restam diversos detalhes sobre seu passado a serem esclarecidos.
Já a mulher, apesar de ter nascido no Japão, é filha de um norte-americano e cresceu no interior dos Estados Unidos. Aos 29 anos, ela não terminou o ensino médio e conheceu o companheiro na insituição religiosa que é administrada pelo seu pai.
Segundo a defesa da mãe, a mudança para o Brasil ocorreu após o homem convencê-la a acompanhá-lo em uma suposta missão religiosa. A família passou por municípios paulistas e catarinenses antes de se estabelecer, em agosto do ano passado, em uma propriedade rural de Viamão, onde vivia em condições precárias.
Além do menino morto, o casal tem outros quatro filhos, atualmente acolhidos por determinação do Conselho Tutelar. Os depoimentos dos menores também devem ser fundamentais para apontar se a mãe participava das agressões.
Para a defesa da mulher, o fato de ela ser vítima de violência doméstica, sem acesso à informação e às redes de proteção, fez com que ela não tivesse como impedir a violência praticada pelo marido, supostamente, como método de educação.
Os advogados protocolaram um pedido para instauração de um inquérito específico para investigar as agressões que ela afirma ter sofrido ao longo do relacionamento e sustentam que esse contexto deverá ser considerado na análise de sua responsabilidade criminal e em um futuro pedido de liberdade.


