
A Polícia Penal assume, a partir desta terça-feira, o comando da Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), em Charqueadas. O estabelecimento soma 30 anos de gestão da Brigada Militar, sendo, até então, o último presídio sob a responsabilidade da corporação no Rio Grande do Sul.
Segundo o governador Eduardo Leite, um efetivo de 250 agentes penais substitui os 202 PMs na unidade. Ainda conforme o governador, que considera a troca de gestão “histórica”, parte dos servidores integra a última turma do Curso de Formação da Polícia Penal.
“Estamos fazendo história ao concluir a transição com planejamento, investimentos e ampliação do efetivo. A Polícia Penal está preparada para a missão, enquanto a BM retorna à sua atividade-fim”, disse Leite.
Rádio Guaíba na PEJ
Em abril, a reportagem da Rádio Guaíba esteve na PEJ, então sob o comando do major José Adonis Longaray, último diretor da unidade. À época, ficou evidente a higienização de corredores e salas, assim como a disciplina da massa carcerária, imposta com ordem militar.
A maior parte da área interna, graças à limpeza e organização, destoava de outros estabelecimentos prisionais, eliminando, ainda, odores. Também vale destacar o espaço da mão de obra prisional, com carpintaria, mecânica e artesanato, entre outros serviços.
Operação Canarinho
A atuação militar na PEJ começou em julho de 1995, na Operação Canarinho, criada para restabelecer a ordem no sistema prisional. Logo, após demanda do Executivo Estadual, a BM controlava Presídio Central de Porto Alegre, Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) e Penitenciária Estadual de Charqueadas (PEC), além da PEJ.
“Assumimos a missão em um momento de grande desafio para o sistema prisional, e a cumprimos com dedicação, disciplina e compromisso. Temos a certeza do dever cumprido”, afirmou o comandante-geral da BM, coronel Luigi Pereira.
Sindicato da Polícia Penal faz alerta
O Sindicato da Polícia Penal (Sindppen) receia as mudanças na PEJ, devido à falta de efetivo. Conforme a entidade, há cerca de 57 mil presos no RS, e média de um servidor para nove apenados, sendo preciso o dobro de agentes em atividade.
“Reconhecemos o trabalho de excelência da BM nos últimos 30 anos, mas achamos que a Polícia Penal deve ser responsável por todo o sistema prisional. Acontece que precisamos de condições reais para isso. Nosso efetivo não é suficiente”, alertou o presidente do Sindppen, Cláudio Dessbesell.
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Fonte: Marcel Horowitz


