
Willian Ramos Silveira, o Will, 29 anos, considerado líder da facção Bala na Cara, em Cachoeirinha, teria escapado da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas (PMEC) em 21 de maio, 11 dias antes da notificação do sumiço. Na data, a folha de um livro interno com registros da unidade ainda foi arrancada. O policial penal Rudcrei da Costa Machado, 50, um dos suspeitos, foi afastado nesta quinta-feira.
Câmeras do circuito de segurança teriam gravado o preso, acompanhado de um servidor, em direção ao pórtico do local, no dia 21 maio. Além disso, também foi rasgada a página do caderno de anotações da entrada e saída dos apenados.
Três dias antes, em 18 de maio, há cadastro de atendimento técnico ao detento. Depois, em 27 de maio, às 10h17min, consta sua “remoção a hospital”, que não ocorreu. A fuga foi percebida em 1º de junho, quando ele tinha uma audiência marcada.
A reportagem tenta contatar Rudcrei da Costa Machado, insistindo na busca de sua defesa, com espaço em aberto para manifestações. Ele seria um dos administradores do Sistema de Gerenciamento das Informações Penitenciárias (Infopen) na PMEC, sendo afastado preventivamente por até 60 dias, em ordem da Corregedoria-Geral da Polícia Penal.
O servidor já estava fora de serviço desde o início do mês, com atestado. Além disso, recebeu autorização de transferência, a partir de 1º de julho, à Penitenciária Estadual de Rio Grande (PERG).
A Polícia Civil apura o caso, avaliando hipótese de falsificação no ofício e na guia de soltura do preso. A investigação não descarta que a senha de um dos dois chefes de segurança da PMEC possa ter sido utilizada na trama, sob a justificativa de problemas no acesso do responsável.
Quem é Willian Ramos Silveira
Will seria sucessor de Tiago Soares da Silva, o Pequeno, na chefia do tráfico na Vila da Paz, em Cachoeirinha. Ele estava preso desde julho de 2025, quando atirou com um fuzil 5.56 em guarnições do 26º Batalhão de Polícia Militar (BPM).
O traficante já havia fugido do sistema prisional em 2024, ao receber benefício de cumprir pena em prisão domiciliar humanitária, sob a justificativa de “problemas na coluna”. Will ficou foragido por um ano, sendo detido no confronto com policiais do 26º BPM.
No dia 3 de junho, um mandado de recaptura de Will foi expedido na 1ª Vara de Execuções Criminais. Seu paradeiro continuava incerto até o momento desta publicação.
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Fonte: Marcel Horowitz


