
Os efeitos da guerra entre os Estados Unidos e o Irã aparecem nos índices da indústria extrativa, com queda no volume e aumento nos preços. O mesmo comportamento se repete para o agregado total das exportações e importações. Na seção Perspectivas, ressaltam-se as incertezas trazidas pelo anúncio da possível taxação das exportações brasileiras para os Estados Unidos, que pode chegar a 37,5%. O saldo da balança comercial de maio foi de US$ 7,8 bilhões, fazendo com que o superávit acumulado no ano até maio fosse de US$ 32,7 bilhões, US$ 8,4 bilhões superior ao de igual período de 2025.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 16, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre). Entre os principais parceiros, registraram melhora no saldo comercial a China, com ganho de US$ 7,1 bilhões, e a União Europeia, com ganho de US$ 2,1 bilhões. Os Estados Unidos registraram aumento do déficit, de US$ 1,0 bilhão para US$ 1,5 bilhão, e, na Argentina, o superávit reduziu-se de US$ 2,4 bilhões para US$ 910 milhões (Gráfico 1).
Para as exportações, a comparação interanual do acumulado do ano até maio de 2025 e 2026 mostra a liderança da China, com aumento de 12,8%, seguida da América do Sul, excluída a Argentina, com variação positiva de 9,8%, enquanto, para a Argentina, o registro foi de queda de 20,9% (Gráfico 2).
Para os países da Ásia, exceto China, a variação nas exportações foi positiva em termos de volume, 9,8%. Destaca-se o desempenho da Índia, com variação em valor de 70,2% das exportações entre os acumulados do ano até maio, liderada pelas vendas de petróleo bruto (+77%) e óleos vegetais (+64%). A Índia é o quinto principal mercado das exportações brasileiras, enquanto o Japão está na 13ª posição. Destaca-se o grupo ASEAN — Associação das Nações do Sudeste Asiático, composto por Brunei Darussalam, Camboja, Cingapura, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Tailândia e Vietnã —, que registrou aumento no valor exportado de 9,4%, com variação positiva nos preços e no volume.
Para a União Europeia, as exportações cresceram em valor, 6,7%, com aumento de preços, o que compensou a queda no volume. A queda das exportações para os Estados Unidos se repete, com redução no volume de 18,0% e no valor de 16,0%, já que foi registrado aumento nos preços de 2,0%. No caso das importações, variações positivas foram registradas para a China, “Demais Ásia” e Argentina, como mostra o Gráfico 2. Estados Unidos e União Europeia registraram as maiores reduções na comparação interanual do acumulado do ano até maio.
As exportações totais do Brasil aumentaram 6,6% e as importações, 5,3%, em valor, na comparação interanual do mês de maio entre 2025 e 2026. Entre os acumulados do ano até maio, em valor, os resultados foram de 8,7% para as exportações e 3,2% para as importações. No acumulado do ano, a variação do volume exportado foi positiva, mas, em maio, o volume reduziu em 4,4% e os preços aumentaram 11,5%. No caso das importações, foi registrada queda de volume nas comparações acumulada e mensal, enquanto os preços aumentaram em ambas as bases de comparação.
Em maio, tanto para as exportações como para as importações, foi registrado o maior aumento de preços na comparação interanual mensal entre 2026 e 2025 desde janeiro.


