
O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou novos contornos na comissão especial da Câmara dos Deputados na noite desta segunda-feira em Brasília. Ao longo de três horas, o relator Léo Prates (Republicanos/BA) leu seu parecer para defender o fim da atual escala.
Para isso, apresentou fatores para justificar a decisão. A defesa teve como base a dignidade humana, a preservação da estrutura familiar e o bem-estar das novas gerações. Ao ler o relatório, Prates destacou que os tópicos foram apresentados durante uma série de seminários.
O parlamentar defendeu o limite máximo de 40 horas semanais de trabalho, a obrigatoriedade de dois dias de folga por semana e a expressa proibição de redução salarial. O relator rebateu os discursos de que a economia iria quebrar com a mudança, citando experiências e pesquisas que mostram redução de afastamentos por motivos de saúde e outros tipos de adoecimento.
Exemplos positivos de mudança
Prates destacou exemplos práticos do setor empresarial que demonstraram que a transição para modelos de 5×2 ou 4×3 pode, de forma inversa, neutralizar custos. De acordo com os dados avaliados, a concessão de mais repouso reduz drasticamente as ausências por atestados médicos, diminui a rotatividade de funcionários (turnover) e gera ganhos reais de produtividade para as empresas.
Destacou ainda aspectos socioculturais do cotidiano brasileiro. Como exemplo, citou a ausência de um membro da família, muitas vezes das mulheres. “Não existe defesa da família sem a presença dos pais em casa.”
Segundo ele, a rotina imposta pela atual jornada compromete diretamente a criação dos filhos e a convivência familiar. Também defendeu a busca por mais tempo livre e qualidade de vida como uma transformação geracional profunda, citando os jovens e sua relação com o mercado de trabalho. O texto ainda é analisado e deve ser votado na comissão especial que discute o tema na Câmara dos Deputados.
Fonte: Mauren Xavier / Correio do Povo