
O governo federal emitiu uma nota, na noite dessa quarta-feira (15), para se posicionar contra a “imposição de tarifas unilaterais ao Brasil pelos Estados Unidos”. Em um documento de duas páginas, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República repudiou a taxa de 25% aplicadae argumentou que não há justificativa para a medida.
Em tom crítico, o texto classifica o momento como um “marco lastimável” para a história das relações entre os dois países. Além disso, ressalta que o Brasil “não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio” — em referência às apurações dos EUA com base na Seção 301 da lei que regula o setor estadunidense.
Confira os pontos elencados para criticar a determinação:
- US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços acumulados pelos Estados Unidos nos últimos 15 anos com o Brasil, segundo estatísticas do governo norte-americano;
- Em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no país sem pagar imposto, e a alíquota média aplicada sobre produtos norte-americanos foi de 3,1%;
- A atuação do governo brasileiro junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), no último ano, pelo encerramento das investigações e com evidências que refutavam as acusações sobre as supostas práticas desleais adotadas pelo Brasil;
- Nas audiências públicas promovidas pelo USTR na semana passada, 63 das 78 intervenções feitas por representantes do setores privados brasileiro e norte-americano foram contrárias ao tarifaço.
Pix como patrimônio e referência
A nota acrescenta que o governo federal demonstrou serem “descabidas” as alegações dos Estados Unidos em relação ao Pix e a à regulação de plataformas digitais, “bem como absurdas as acusações sobre desmatamento”.
“O Pix é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital. No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas”, critica o documento.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República também afirma que a liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade e que “o mundo inteiro sabe que, a partir de 2023, combatemos de forma incisiva os ilícitos ambientais e reduzimos drasticamente o desmatamento em todos os biomas brasileiros”.
Próximos passos
O Executivo federal enfatizou que o paíscontinuará a adotar medidas para reduzir os danos causados à economia e à renda dos brasileiros, além de diversificar parcerias comerciais e abrir novos mercados para os produtos nacionais, como ocorreu no caso dos acordos do Mercosul com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio e Singapura.
“Por meio do Plano Brasil Soberano, manteremos medidas de proteção aos setores afetados por tarifas ilegais e arbitrariamente impostas pelo governo dos EUA, preservando empregos e a capacidade produtiva nacional”, detalha a nota.
Fonte: R7


