
O advogado-geral da União, Jorge Messias, enfrenta sabatina e o crivo do Senado nesta quarta-feira (29) após uma demora recorde para avaliação do nome dele ao STF (Supremo Tribunal Federal).
O desdobramento, após cinco meses de campanha e intensa conversa com senadores, foi marcado por ruídos com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que acabou sem ter uma conversa a sós com o indicado de Lula até a reta final.
Alcolumbre optou por se manter neutro na campanha, sem atuar para a retirada de votos, nem apoiar publicamente o AGU. Cenário diferente da condução que teve com outros ministros, como Flávio Dino e Cristiano Zanin.
Apesar da falta de aceno, aliados consideram que Messias tem apoio suficiente para aprovação e alcançará ao menos 45 votos na votação no plenário. O placar, que pode sofrer alterações por ser uma votação secreta, foi apontado por três diferentes aliados de Messias à reportagem.
A confiança também se estende à votação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que realiza sabatina nesta manhã. Nomes próximos a Messias apontam para a estratégia de respostas sucintas e preparação para todos os tipos de questionamento.
“Ele está muito sereno, muito tranquilo. Sabe que vão abordar todos os temas e está se preparando para todos os temas que possam vir. Está conversando com todo mundo”, declarou o relator da condução, Weverton Rocha (PDT-MA).
A oposição, no entanto, segue firme contra a aprovação do chefe da Advocacia-Geral da União.
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou que Jorge Messias será confrontado pela sua atuação e como avalia a anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro, além de sua proximidade com o presidente Lula e o PT.
Espera recorde
O monitoramento feito pelo R7 mostra que Messias aguardou 150 dias desde a indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em novembro do ano passado, até o processo de condução. O tempo supera a marca de André Mendonça, de 142 dias.
Diferente do possível colega de corte, que sofreu entrave por decisão de senadores, a situação de Messias teve atraso por uma decisão do governo, que temia falta de votos pela reação do presidente do Senado, e optou por formalizar o envio apenas em abril.
Alcolumbre ficou insatisfeito por não ter sido avisado pela escolha de Lula. À época, ele defendia o nome do aliado Rodrigo Pacheco (PSB-MG), ex-presidente do Senado. O cenário estremeceu a relação com o Planalto e dificultou o apoio a Messias.
Depois dele, o tempo máximo para uma indicação ao STF foi de 27 dias. Luís Roberto Barroso, que deixou a cadeira para a qual Messias foi indicado, por sua vez, aguardou por 12 dias.
Fonte: R7