
Edegar Pretto (PT) confirmou, na manhã desta quinta-feira, em carta aberta aos integrantes do partido no Estado que será vice na chapa com Juliana Brizola, pré-candidata ao governo do RS pelo PDT. A decisão ocorre uma semana após a intervenção do PT nacional na pré-candidatura de Pretto, orientando a aliança com o PDT na disputa ao Palácio Piratini.
A seguir a carta na íntegra.
Carta aberta aos companheiros e companheiras do PT Gaúcho
Ao longo dos últimos meses, construímos um movimento político potente, lastreado no
diálogo e em objetivos programáticos claros, comprometido com a democracia, com a
soberania nacional e com a necessidade de apresentar um novo projeto para o Rio
Grande do Sul.
Desde o início desse processo, estabelecemos uma prioridade clara e inegociável: a
reeleição do presidente Lula. Não apenas pela necessidade de vencer uma disputa
eleitoral, mas para garantir a continuidade de um projeto que devolveu esperança ao
povo brasileiro, reposicionou o Brasil no cenário internacional e representa, hoje, uma
das principais referências de equilíbrio em um mundo marcado por instabilidade e
ameaças às soberanias dos países emergentes.
Foi esse o alicerce que deu base sólida à constituição de uma frente política, reunindo
partidos e lideranças comprometidos com a democracia, com a justiça social e com um
novo projeto de desenvolvimento para o nosso estado. Uma construção que mobilizou
nossa base social, percorreu todas as regiões e deu voz ao povo gaúcho por meio de um
processo participativo, com a Caravana Levanta Rio Grande.
Essa caminhada nos trouxe até aqui. E é justamente por respeitar essa construção, por
reconhecer sua força e seu significado político, que tomo a decisão que agora
compartilho com vocês.
Depois de inúmeras conversas com lideranças partidárias, bancadas estadual e federal,
organizações populares, com as nossas referências do PT gaúcho — Olívio, Raul e Tarso
— e, mais recentemente, a partir da orientação do Diretório Estadual do PT do Rio
Grande do Sul, do pedido do presidente Lula e do nosso presidente nacional, Edinho
Silva, em Brasília, bem como dos partidos que compõem a nossa frente política, aceito a
tarefa de ser candidato a vice-governador do Rio Grande do Sul, na chapa com a
candidata Juliana Brizola. Faço isso sem abrir mão de nenhuma das convicções que
construí ao longo da minha trajetória. Ao contrário: as reafirmo com ainda mais firmeza.
Assumo essa posição com um papel muito claro: contribuir para que essa candidatura
alcance densidade política, tenha alinhamento programático e expresse, de forma clara,
o compromisso com o campo progressista.
Minha missão será, também, ajudar a construir, a partir dessa candidatura, um
palanque forte e autêntico do presidente Lula no Rio Grande do Sul — um palanque que
vá além do momento eleitoral, que dialogue com a sociedade, defenda o governo Lula e
aponte caminhos concretos para o desenvolvimento do estado e do Brasil.
Ao longo de quase 40 anos de militância no Partido dos Trabalhadores, aprendi que,
acima de qualquer projeto individual, está o compromisso coletivo. Assumo a
responsabilidade de ajudar a construir a mais ampla unidade possível do nosso campo,
com PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede Sustentabilidade e, agora, o PDT. E seguiremos
dialogando com outras forças que ainda avaliam seu posicionamento neste processo
eleitoral.
Vamos ampliar essa frente com respeito às diferenças, mas com foco naquilo que nos
une: a defesa da democracia, a reeleição do presidente Lula e a construção de um novo
projeto para o Rio Grande do Sul.
Quero reafirmar com toda clareza: a prioridade nacional jamais significará tratar o Rio
Grande do Sul como secundário.
Nosso estado vive há mais de uma década sob a condução de um projeto marcado pela
ausência do Estado na vida das pessoas e nos setores estratégicos da nossa economia.
Esse modelo se mostrou incapaz de enfrentar desafios centrais, como a crise climática, e
contribuiu para a estagnação da nossa economia, que cresce abaixo da média nacional e
dos demais estados da região Sul. Ao mesmo tempo, os serviços essenciais pioraram,
especialmente na Saúde, na Educação e na Segurança Pública, tendo reflexo,
principalmente, nos índices alarmantes de feminicídios.
Por isso, toda a construção realizada até aqui — o diálogo com a sociedade, a escuta
ativa e o acúmulo programático — não será desperdiçada. Ela será a base do projeto
que apresentaremos ao povo gaúcho, agora com uma aliança ainda mais ampla.
Da mesma forma, estaremos mobilizados para eleger grandes bancadas na Assembleia
Legislativa e na Câmara dos Deputados. Temos, ainda, a oportunidade de eleger Paulo
Pimenta e Manuela D’Ávila como senadores, duas lideranças à altura dos desafios do
país e da tarefa de representar o Rio Grande do Sul no Congresso Nacional.
Ao encaminhar esta carta, coloco-me à disposição do partido para formalizarmos a
constituição da chapa com a pré-candidata ao governo estadual, Juliana Brizola. Tenho
convicção de que construiremos uma relação de respeito e colaboração, como a que
tivemos no período em que atuamos juntos na Assembleia Legislativa, inclusive na Mesa
Diretora, quando tive a honra de presidir o Parlamento gaúcho. Estou certo de que
saberemos representar essa frente política com responsabilidade e apresentar ao povo
gaúcho o melhor projeto para o futuro do estado.
É tempo de responsabilidade, de unidade e de compromisso com o futuro.
Seguiremos juntos, com a mesma disposição e a mesma convicção de que é possível
construir um novo tempo para o Rio Grande do Sul e avançar nas conquistas do Brasil
com o presidente Lula.
Em frente.
Edegar Pretto