
O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, cumpre isolamento de 10 dias na Penitenciária 2 de Potim, interior paulista, após sua transferência na manhã desta quinta-feira (5).
Vorcaro foi detido na quarta-feira (4) na capital paulista, alvo de nova etapa de operação da Polícia Federal que apura suposta fraude financeira bilionária.
Após a captura, ele esteve no CDP de Guarulhos e, nesta manhã, seguiu para Potim em viatura da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).
O isolamento é protocolo padrão para quem ingressa no sistema prisional de São Paulo. Durante o deslocamento, o empresário já trajava o uniforme oficial: calça caqui e camiseta branca.
Nessa fase, exigida a todos os detentos novos, são realizados diversos trâmites de segurança e administrativos.
Os procedimentos incluem revista, higienização, corte de cabelo padrão, fotos e coleta de digitais. Além disso, ocorre a troca definitiva de roupas civis pelo uniforme da unidade.
Intimidação
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão preventiva de Vorcaro. A decisão fundamenta-se na descoberta de uma estrutura de vigilância e coerção privada, denominada “A Turma”, utilizada pela organização criminosa para intimidar jornalistas, ex-funcionários e concorrentes. Vorcaro, que já usava tornozeleira eletrônica desde novembro, é acusado de ordenar hackeamentos e ameaças para obstruir as investigações da Operação Compliance Zero.
O banqueiro também mantinha interlocução próxima com dois servidores que ocupavam posições estratégicas no Banco Central (BC) e trabalhavam como “uma espécie de empregado/consultor” de Vorcaro, fornecendo informações privilegiadas.
Os servidores são o ex-diretor de fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e o ex-servidor Belline Santana.
Toffoli já havia determinado a prisão do banqueiro, ainda em novembro, mas pouco depois substituiu a medida pelo uso de tornozeleira eletrônica.
Dinâmica violenta
O ministro destacou a “dinâmica violenta” do grupo dando como exemplo também mensagens trocadas entre Mourão e Vorcaro sobre um jornalista que havia publicado uma notícia contrária aos interesses do banqueiro.
Na manhã desta quarta-feira (4), o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, declarou ser ele o alvo das conversas citadas na decisão do ministro.
“Tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele”, diz Vorcaro, ao que Mourão responde: “Vou fazer isto.”
Fonte: Correio do Povo