
Já disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a ata da convenção gaúcha da federação partidária União Progressista, que reúne o PP e o União Brasil, deixa documentado o quanto está sendo possível, na formação das alianças políticas para as eleições de 2026, relativizar as regras previstas na legislação.
Transmitida ainda no dia 1º, sábado, logo após o PP do RS realizar sua convenção estadual na Fecomércio, a ata informa que “por unanimidade”, a federação União Progressista formará aliança para o pleito de 2026 na coalizão denominada de ‘Coligação o Rio Grande Pode Mais’, integrada, além do PP e do União Brasil, pelo PL, o Novo, o Republicanos, o Podemos, o Democrata e o Democracia Cristã. A coligação tem como candidato ao governo Luciano Zucco, do PL. A vice é Silvana Covatti, do PP.
Constam da ata também os nomes dos candidatos ao Senado, com duas vagas de suplência ainda em aberto, e as listas para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa da federação. Dos 16 candidatos listados para deputado federal, 13 são do PP e três do União Brasil. E, dos 44 a deputado estadual, 30 são do PP e 14 são do União Brasil.
Ocorre que, no mesmo dia em que o documento foi transmitido, o MDB estadual também realizava sua convenção, evento durante o qual foi reiterado, e celebrado, o apoio do União Brasil do RS à candidatura de Gabriel Souza, o postulante do MDB ao Piratini. Os emedebistas lideram outra coalizão, integrada também por PSD, Agir e a federação Solidariedade/PRD, e adversária daquela encabeçada pelo PL. A divulgação do apoio do União Brasil a Gabriel não causou estranheza a nenhum dos partidos envolvidos, visto que, na prática, a legenda tornou público seu endosso ao emedebista, que é vice-governador, em dezembro, antes mesmo de o PP decidir sair da base do governo Eduardo Leite (PSD) e passar a integrar uma chapa concorrente.
Na prática também, como costumam lembrar dirigentes do PL gaúcho, para a composição do tempo total na propaganda de rádio e TV, o que vale é o “casamento no papel”. Por isso, o tempo do União Brasil vai ficar para a coligação de Zucco e é nela que vão fazer suas aparições os candidatos do União para a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa. Mesmo que, em suas campanhas individuais, defendam Gabriel.
Instituídas a partir da lei 14.208/21, as federações partidárias consistem na associação de duas ou mais siglas com afinidade programática, em âmbito nacional, por um período mínimo de quatro anos. A partir da criação da federação, elas passam a atuar como se fossem uma única agremiação partidária, submetidas às mesmas regras dos partidos políticos. Por isso, oficialmente, não podem integrar coligações diferentes em um mesmo estado, ou contrariar decisão tomada por sua direção nacional. A lei, contudo, também prevê a preservação da identidade e da autonomia dos partidos integrantes de federações. Cada um decide individualmente, por exemplo, como vai dispor de sua parcela do Fundo Eleitoral.
Atualmente, existem cinco federações registradas no TSE. São elas: União Progressista (PP/União Brasil), Renovação Solidária (Solidariedade/PRD), Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV), PSDB/Cidadania e PSol/Rede.
Fonte: Flávia Bemfica / Correio do Povo


