
A Maratona Internacional de Porto Alegre teve a quebra de seus recordes masculino e feminino na 41ª edição, ocorrida neste domingo. Entre os homens, Daniel Kiprono Sang, do Quênia, venceu a prova com o tempo de 2h10min21seg. Também quenianos, o segundo colocado foi Eliasa Kibet, com 2h10min59seg, e o terceiro, Victor Kimplimo, com 2h11min11seg. O melhor brasileiro foi Giovani dos Santos, em sexto lugar, com 2h12min56seg.
Na prova feminina, a vencedora foi a etíope Gelane Senbete, com tempo total recorde de 2h31min16seg, seguida pela queniana Lucy Nthenya, com 2h31min26seg, e Emily Chebet, com 2h33min10seg, também do Quênia, na terceira colocação. Jéssica Ladeira, com 2h37min32seg, foi a melhor brasileira, também em 6º. A prova em si, que reuniu cerca de 10 mil dos 30 mil participantes, com os restantes 20 mil participando dos trajetos no sábado, teve algumas mudanças que, na prática, fizeram a prova mais plana do Brasil ficar ainda mais competitiva.
Entre elas, a altimetria total de apenas 14 metros em seu ponto mais alto, evitando grandes subidas e descidas, favoreceu a velocidade e o pace dos atletas, assim como uma mudança no percurso, deslocado da zona Sul, onde havia mais elevações. A prova dos 42km também começou uma hora mais cedo do que as edições anteriores, às 6h, com tempo maior de escuridão ao longo do percurso. O clima jogou a favor dos corredores, com temperaturas relativamente amenas e sem a neblina densa da prova do ano passado.
Antes do início da maratona, o diretor da prova, Paulinho Stone, disse que a expectativa era alta, considerando estes fatores. “Esperamos uma prova muito rápida, de altíssimo nível, e temos atletas olímpicos participando, além de participantes de 26 países”, disse ele, reforçando que as inscrições para a Maratona Internacional de Porto Alegre de 2027 já começam nesta segunda-feira. Entre os participantes, a ansiedade para a prova estava nas alturas.
Um grupo de 50 participantes do Rústicos Running Team veio de Montevidéu, no Uruguai, somente para correr e acompanhar. “Ontem (sábado) alguns correram cinco quilômetros, outros dez, agora aumentamos para 21 quilômetros em alguns, e foi muito confortável, bem bacana. Tivemos apoio de parceiros de lá”, disse Federico Vignolo, um dos participantes. Segundo ele, assim como em Porto Alegre, a atividade da corrida de rua tem crescido de forma vertiginosa no país uruguaio.
A estudante Sophia Staub e seu namorado, o assistente de produção Kauã Flach, vieram de Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, para assistir a prova dos pais dela, Edson Staub e Ângela Staub. “Eles correm desde que eu me conheço por gente. Minha mãe, quando eu era menor, competia, aí parou por um tempo, agora acho que está voltando”, comentou Sophia. O casal contou ser mais afeito ao vôlei do que necessariamente o atletismo.
Diversas ações foram feitas em paralelo à prova, como massagem nos participantes e a presença das assessorias de corrida e suas atividades particulares. A ONG Corre com o Coração, criada após a morte do jovem João Gabriel Hofstatter de Lamare, 20 anos, na maratona de 2025, estava com um estande conscientizando os corredores da importância de manter os exames clínicos, especialmente cardiológicos, em dia.
“Nunca foi um projeto contra a corrida, mas a favor de uma corrida segura, e do acompanhamento médico durante o período da corrida e os treinos. Para nós, é simbólico e uma ressignificação estar aqui, por ser a prova onde ocorreu o falecimento do João Gabriel, mas isto mostra ele pode inspirar outras pessoas e nós continuarmos honrando o legado dele”, disse a presidente da ONG, Mariana Pieri. O troféu da prova da Meia Maratona passou a levar o nome de João Gabriel.
Mais atendimentos médicos
Visando justamente a segurança médica dos corredores, a prova teve também reforço nas equipes de saúde, sob responsabilidade da Unimed Porto Alegre. De acordo com o coordenador médico do SOS Unimed Porto Alegre, Marcos Mottin, houve 11 ambulâncias equipadas como UTIs móveis, 69 profissionais de saúde da cooperativa e centenas de voluntários, posicionados a cada quilômetro, com treinamento básico de reanimação cardiopulmonar básica e uso de aparelhos de desfibrilação externa automática.
No sábado, quando houve inclusive mais atendimentos do que o primeiro dia do ano passado, eles estavam a cada 500 metros. “Eles são rastreados por um aplicativo, e podem fazer um chamado por meio da leitura do QR Code do atleta. Quando aberto, dispara automaticamente para nossa central de regulação, que aciona o recurso mais próximo”, comentou Mottin.
A diretora médica da prova foi Ana Sierra, uma das 35 profissionais no mundo certificadas com o nível 2 da World Athletics. “A vinda dos voluntários foi uma sugestão do time da Maratona de Berlim, então estamos seguindo aqui alguns dos melhores protocolos do mundo, além de toda a rede de apoio”, salientou ela. Embora problemas como fadiga, cãibras e hipotensão (pressão baixa) sejam mais comuns entre os atletas, segundo ela há um crescimento visto nos casos graves de hipertermia (temperatura corporal acima de 40 graus com confusão mental) e hiponatremia (baixo sódio no sangue).
Fonte: Felipe Faleiro / Correio do Povo


