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Projeto em Farroupilha transforma excedente da indústria têxtil em peças para doação

Crédito: Divulgação

O som das máquinas se mistura às vozes juvenis, preenchendo a área têxtil do Centro de Formação Profissional Senai Adelino Miotti, em Farroupilha, que faz parte do Sistema FIERGS. Na sala de aula repleta de equipamentos para tecer, costurar e passar, estudantes transformam em solidariedade os conhecimentos obtidos durante o curso de Aprendizagem em Costura. É assim que fios e tecidos excedentes de indústrias da região dão origem a peças de inverno, que são destinadas a pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Batizado de “Fios que Tecem para um Futuro Melhor”, o projeto nasceu no primeiro semestre deste ano como uma atividade do curso não apenas para ensinar aos alunos as técnicas da profissão, mas também para dar um destino mais significativo aos materiais que indústrias têxteis doam ao Senai, explica a instrutora Sandramara Chiele.

Cerca de 600 peças — entre toucas, mantas, casacos, blusas e calças — produzidas pelos estudantes já foram entregues à comunidade. Entre as instituições beneficiadas, estão a Escola Estadual de Ensino Fundamental Senador Teotônio Vilela e o Projeto Futuro do Amanhã, localizado na Vila Esperança, onde crianças e jovens participam de atividades esportivas que fortalecem vínculos e promovem a inclusão.

De acordo com Sandramara, para confeccionar as roupas e acessórios, os alunos atuam em um sistema de rodízio de funções — que envolve tecelagem, passadoria, corte, costura, revisão e acabamento. A experiência permite que os estudantes aprendam todo o processo produtivo de uma malharia e possam testar suas habilidades em diferentes etapas da produção.

Com a evolução do projeto, estudantes de outros cursos do Senai de Farroupilha passaram a colaborar com a iniciativa. Os alunos de Aprendizagem em Processos Logísticos contribuíram com a organização dos materiais e dos envios das primeiras doações, enquanto os integrantes do curso de Aprendizagem em Operador de Processos da Indústria de Plásticos participaram da produção das embalagens utilizadas. Até o momento, mais de 80 jovens já estiveram envolvidos na iniciativa.

O gerente de operações do Senai Adelino Miotti, Felipe Andreolla, destaca que o projeto promove a economia circular de uma forma muito especial. “Essas peças têm o amor, a solidariedade e o aprendizado dos alunos que confeccionam. Mas o mais importante é essa ação social, em que fazemos essa entrega às entidades que tanto necessitam. Isso desperta na gente o carinho dos jovens dessa nova geração, que aprendem isso dentro do Senai como uma atividade de curso, que também levarão para a vida”, aponta.

Sandramara também acredita que o projeto representará um marco na vida dos estudantes que estão participando. Por isso, a ideia é dar continuidade à iniciativa e passar a produzir outras peças, como colchas de retalhos. “É uma sementinha de solidariedade que está sendo plantada nesses jovens. Para mim, o sentimento é de realização e de gratidão por estar colaborando e ensinando esses jovens a ajudarem ao próximo”, resume a instrutora.

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