
Pelotas recebeu a 6ª plenária do Fórum Democrático de Desenvolvimento Regional. Promovido pela Assembleia Legislativa, o evento abordou o tema “Municipalismo Agora: a voz e a vez dos municípios”. O objetivo do encontro, realizado na Associação Comercial da cidade, foi ouvir lideranças e a população sobre as potencialidades e desafios dos municípios que integram o Corede Sul.
O presidente da Assembleia Legislativa, Sérgio Peres (Republicanos), participou do evento. Ele garantiu que todos os assuntos abordados no encontro chegarão ao parlamento gaúcho. Peres afirmou ainda que o debate será ampliado com os candidatos ao governo do Estado. “Estes encontros, como o que o ocorreu em Pelotas, são importante para usarmos, na busca de recursos, argumentos com base em quem vive nas cidades e precisam de qualidade de vida e infraestrutura”, frisou.
O diretor do Fórum Democrático de Desenvolvimento Regional, Roque Bakof, revelou que Peres solicitou ao órgão que fizesse um chamamento com o propósito de criar momentos em que as lideranças da sociedade fossem ouvidas em suas demandas e necessidades. Ele falou sobre a relevância de as estruturas se organizarem territorialmente para que consigam prestar bons serviços.
A presidente do Corede Sul, Selma Quevedo Vilela, mencionou a existência de um Plano Estratégico e destacou avanços da região, como o projeto da Usina de Biodiesel e a entrada em funcionamento do Hospital Regional e do Pronto Socorro de Pelotas. Para o secretário municipal de Governo de Pelotas, Pedro Bitencourt Júnior, a região apresenta baixa industrialização.
“Temos dificuldade de colocar o município em condições de quebrar essa desigualdade. Para isso é necessário política pública de Estado, não de governo, para não acontecer o que ocorreu com o Polo Naval de Rio Grande”, alertou.
O diretor da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e professor da Fundação Universidade de Rio Grande (Furg), Artur Roberto Oliveira Gibbon, evidenciou a importância da existência de um vetor para a inovação, com um trabalho conjunto da região. O diretor da Associação Comercial de Pelotas e professor da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), João Carlos Medeiros Madail, lamentou o fato de que nem sempre os valores arrecadados pelos governos retornam em forma de benefício para a sociedade. “Há esperança de que algo vá mudar, mas ninguém sabe como”, disse.
Desassoreamento
A escassez hídrica foi outro problema tratado no debate. O doutor em Ciência do Solo e professor do Centro de Engenharias da Universidade Federal de Pelotas, Maurício Silveira Quadro, reivindicou a existência de uma política pública que passe pelos processos de reservação de água para a produção rural. Entre os problemas, citou a baixa pressão e a má qualidade da água no final das redes, além das dificuldades dos pequenos municípios para executar a limpeza dos reservatórios.
“A concessão de água no Interior está no colo dos municípios, que usam poços comunitários, ou têm sistema de cisternas, ou caminhão-pipa, ou as pessoas se viram como podem”, lamentou. Ele defendeu a necessidade de revisão dos planos de saneamento que, no seu entendimento, deveriam ser atualizados a cada 10 anos. Ele defendeu ainda a importância de pequenas ações descentralizadas, como programas para os açudes e poços no meio rural, além de iniciativas como o desassoreamento dos reservatórios.
O secretário do Corede Sul e gerente regional da Emater/Ascar, Ronaldo Clasen Maciel, disse que a agricultura familiar representa 79,72% dos estabelecimentos rurais da região. Um dos pontos em que o especialista considera que é preciso atuar com mais efetividade é o problema da estiagem, já que esta é uma das regiões em que menos chove no Estado.
O doutor em Agronomia e pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Leonardo Pereira Dutra, apresentou as linhas de pesquisa da organização, assim como dados sobre o Balanço Social, mostrando que o investimento em ciência e tecnologia gera bom retorno. “O principal desafio da agricultura familiar são as mudanças climáticas, que geram a necessidade de cultivos mais resilientes e complexos”, frisou.
Já o presidente do Fórum dos Coredes, Idioney Oliveira Vieira, evidenciou a importância da governança regional. “A proposta que a gente está trazendo é a ideia de governança e cooperação regional”, explicou. Como exemplo, citou a participação dos Coredes na duplicação de algumas rodovias no Estado. A próxima plenária do Fórum Democrático de Desenvolvimento Regional está marcada para o dia 29 de junho, em Caxias do Sul.
Fonte: Angélica Silveira / Correio do Povo