
A primeira composteira do Brasil capaz de reciclar papéis higiênicos, e localizada em ambiente urbano, foi inaugurada nesta terça-feira, na região do 4º Distrito, em Porto Alegre. O projeto foi desenvolvido pela empresa Arco, que atua com economia circular, em parceria com a companhia The Green Factory. Ele está situado no Galpão de Circularidade da Arco, no bairro São Geraldo, e surgiu a partir de uma demanda do Bordaza Shopping, empreendimento no interior do complexo multiuso corporativo e residencial Carlos Gomes Square, localizado na avenida Carlos Gomes.
O maquinário pode processar até 40 toneladas por mês, gerando até 15 toneladas de adubo. O sistema, que não gera odores indesejados, funciona em duas etapas e leva, ao todo, de sete a dez dias. A primeira é a compostagem em um tambor rotativo fechado, atingindo naturalmente temperaturas entre 55 e 70 graus, higienizando o material e eliminando patógenos. Em uma segunda etapa, o material passa por um minhocário, onde as minhocas finalizam a digestão e criam um húmus orgânico considerado de alta qualidade. Após esse tratamento natural, o adubo é devolvido ao Bordaza para uso nos projetos de paisagismo do empreendimento, não podendo ser usado em hortas, por exemplo.
“Este desafio veio de um cliente nosso que queria se tornar lixo zero, e o entrave para ele atingir estas metas era justamente o papel higiênico. O que ocorre aqui é um processo natural, não aquecemos, não colocarmos ar ou nenhum micro-organismo. É a natureza decompondo este resíduo e transformando isso em adubo”, disse uma das fundadoras da Arco, Natália Pietzsch. Segundo a empresa, que trabalha com cooperativas locais, fomentando o aspecto social da medida, Porto Alegre gera por volta de 1,7 mil toneladas de resíduos por dia, e envia 94% delas para aterros sanitários.
O projeto praticamente elimina a possibilidade do envio para o aterro pra o cliente gerador, ao menos no caso do papel higiênico, o que não é o caso de plásticos que acabam se misturando a eles, como absorventes e fraldas usadas, que não se decompõem no tambor. “Além de todos os benefícios ambientais, que são óbvios, ainda há a questão econômica, porque cortamos custos logísticos e ainda conseguimos transformar em adubo”, acrescentou ela. Ainda conforme Natália, as altas temperaturas também tornam o material livre de riscos sanitários para quem atua com ele.
O CEO do Bordaza Shopping, Matheus D’Agostin, salientou o pioneirismo da iniciativa, inclusive para a Arco, que foi procurada inicialmente, mas ela própria não fazia a reciclagem do papel higiênico. Com a solução da The Green Factory, isto foi possível. A diretoria do shopping chegou a visitar a Coreia do Sul e o Catar para conhecer iniciativas similares à inaugurada na Capital. “Ver este ciclo ser finalizado é indescritível hoje depois de tanto trabalho envolvido. Estamos muito felizes de dar este pontapé e deixar este exemplo para os próximos empreendedores, cujos negócios também precisam tratar seus resíduos. Podemos dizer, sem dúvida, que somos o shopping mais sustentável de Porto Alegre”, finalizou ele.
Fonte: Felipe Faleiro/Correio do Povo