Integrantes do governo federal avaliam que os esforços de negociação e os esclarecimentos apresentados aos Estados Unidos durante a investigação comercial aberta contra o Brasil foram desconsiderados pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). As informações são do Estadão.Play Video
A avaliação ocorre após o órgão recomendar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras, em decisão anunciada nesta terça-feira, 2.
De acordo com a reportagem, evitar uma nova rodada de tarifas era um dos principais objetivos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas conversas mantidas com o governo americano. O tema foi tratado durante reunião realizada em 7 de maio, na Casa Branca, entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Embora o governo brasileiro acompanhasse o andamento da investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, a expectativa era de que uma decisão fosse anunciada apenas após o término do prazo de 30 dias estabelecido entre os dois presidentes para a continuidade das negociações.
Ainda segundo o Estadão, o prazo terminaria nos próximos dias e interlocutores de Lula chegaram a considerar a possibilidade de uma prorrogação das tratativas.
A divulgação do relatório final antes desse período, porém, foi interpretada por integrantes do governo como um sinal de que os argumentos apresentados pelo Brasil não foram suficientes para alterar a posição americana.
A recomendação do USTR ainda passará por consulta pública antes de uma decisão definitiva do governo americano sobre a adoção das tarifas.
Entenda os argumentos do governo americano ao propor nova taxa
Os Estados Unidos propuseram uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros após a conclusão de uma investigação comercial conduzida pelo USTR. Segundo o órgão, o Brasil adota práticas que prejudicam interesses americanos em áreas como comércio digital, pagamentos eletrônicos e plataformas de tecnologia, incluindo políticas associadas ao Pix.
O relatório também cita críticas relacionadas a propriedade intelectual, combate à pirataria, etanol, corrupção, tarifas comerciais e desmatamento ilegal. Na avaliação do governo americano, esses fatores afetam a competitividade de empresas e produtores dos EUA e justificam a proposta de novas tarifas sobre exportações brasileiras.
Fonte: Correio do Povo