
Com o retorno do Carnaval de Rua em Porto Alegre, volta também a preocupação com o lixo deixado pelos foliões pelos locais onde os blocos passaram na noite anterior. Neste feriado, por volta das 7h, quem tem o costume de fazer passeios matinais nos arredores da Praça Garibaldi, encontrou trabalhadores do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) trabalhando.
Maria do Carmo Mangger, de 73 anos é moradora do bairro Cidade Baixa, na região central da Capital e conta que pela manhã chegou a desistir de passear com o cachorro em virtude do grande volume de lixo que se acumulou no trajeto. Mais tarde, perto das 8h da manhã, na segunda tentativa de passeio, a coleta já estava sendo realizada. “Hoje eu até me surpreendi. A minha rua estava toda suja, a José do Patrocínio era puro lixo, mas agora quando eu saí estava tudo limpo. É isso que a gente quer”, relata a moradora das proximidades.
Por volta das 9h, os profissionais do DMLU ainda recolhiam lixo que estava acumulado nos arredores da praça, que já estava majoritariamente limpa. Nas ruas da Cidade Baixa, o que chama atenção é o cheiro de fezes e urina nas calçadas. Alguns moradores alegam que a quantidade de banheiros químicos disponibilizados foi insuficiente para o público do evento. Para Maria do Carmo, o problema é cultural. “Aqui na rua Olavo Bilac, bastava olhar para o lado para avistar homens urinando na via pública, com as partes íntimas à mostra e com crianças na volta”, reclama a idosa.
Quando o último, dos quatro blocos que agitaram o Carnaval de Porto Alegre na segunda-feira, encerrou a apresentação, já era noite. Mesmo assim os foliões permaneceu no local até a chegada da Brigada Militar.
Com o encerramento das atividades oficiais, o público procurou outras regiões para continuar os festejos, incluindo a Orla do Guaíba que também amanheceu com garrafas, sacolas e copos plásticos espalhados. As condições do local geraram bastante incômodo para quem costuma praticar exercícios físicos na Orla. É o caso de Helena Becker, de 40 anos. “Todos os dias de manhã eu venho andar de bicicleta aqui e vou até o Barra Shopping Sul pedalando. Sempre está sujo aqui na frente, mas hoje mais ainda. Eu não sei se são pessoas que fazem isso ou se é falta de lixeira mas eu acho que falta conscientização”, denuncia a ciclista.
Rodrigo Almeida, de 39 anos, usa o espaço para trabalho. Ele fotografa quem frequenta a orla para correr, pedalar ou passear e vende as imagens online. Segundo ele, o acúmulo de lixo, prejudica o seu trabalho. “As fotos não ficam tão bonitas para o pessoal que vai registrar seus momentos. É um problema”, comentou o fotógrafo. De acordo com ele, o acúmulo de resíduos não é comum na via já que a coleta é realizada diariamente próximo as 8h. No entanto, até as 9h ainda era possível encontrar lixo acumulado no Trecho 3 da Orla do Guaíba.
Durante a manhã, as equipes do DMLU atuavam no recolhimento de lixo em vários pontos da cidade. “As equipes do DMLU também atuaram na conservação dos circuitos que percorreram a cidade. No entanto, não foi gerado um montante de material expressivo para estimar um quantitativo”, afirmou a autarquia em nota.
Fonte: Lúcia Haggström / Correio do Povo