
A policial civil Mari da Cunha Menezes, investigada no âmbito da Operação Carrasco, foi oficialmente afastada das funções pelo Chefe de Polícia do Rio Grande do Sul, Heraldo Chaves Guerreiro. A decisão, publicada no Diário Oficial do Estado desta segunda-feira, determina ainda o recolhimento da carteira funcional, da arma de fogo institucional, do celular funcional e de outros bens pertencentes à Polícia Civil, além do bloqueio de acesso aos sistemas informatizados da corporação e da Secretaria da Segurança Pública (SSP).
A servidora, lotada no Cartório dos Animais da 15ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, foi indiciada na segunda fase da Operação Carrasco por violação de sigilo funcional. A investigação foi concluída na última semana pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas e apura um esquema envolvendo maus-tratos a animais, estelionato por meio de campanhas de arrecadação nas redes sociais e associação criminosa.
Segundo a delegada Luciane Bertoletti, responsável pelo inquérito, a policial realizava consultas a dados sigilosos para beneficiar a protetora de animais e ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes, apontada como líder do grupo investigado.
Além disso, conforme a investigação, a servidora também teria orientado a produção de um exame laboratorial fraudulento para justificar a retirada da guarda de um animal de seu tutor.
A principal prova citada pela Polícia Civil é um áudio obtido durante a extração de dados de aparelhos celulares apreendidos na primeira fase da operação. Na gravação, a policial orientaria Paula Lopes sobre como apresentar um exame em nome de um animal utilizando sangue coletado de outro. “Tira o sangue de um bicho que tá mal, leva para um laboratório e aí, com o nome dele, apresenta esse exame lá. Não te disse isso, nunca”, diz o áudio atribuído à servidora.
A Operação Carrasco resultou no indiciamento de quatro pessoas. Paula Lopes foi responsabilizada por maus-tratos, estelionato, associação criminosa e violação de sigilo funcional. O marido dela, Marcelo Vieira, foi indiciado por associação criminosa, enquanto a veterinária Tainara Harth responderá por maus-tratos e associação criminosa. Um veterinário que chegou a ser preso durante a investigação não foi indiciado.
Paula Lopes permanece presa preventivamente na Penitenciária Feminina de Guaíba.
A portaria publicada pelo Chefe de Polícia estabelece que a servidora permanecerá à disposição da Corregedoria-Geral de Polícia durante a tramitação do procedimento disciplinar instaurado para apurar os fatos.
Fonte: Guilherme Sperafico/Correio do Povo


