
A PF (Polícia Federal) e a Receita Federal cumpriram, nesta quinta-feira (13), mandado de busca e apreensão na casa do advogado e empreendedor Nelson Wilians. A medida faz parte de uma série de 17 mandados expedidos pela 4ª Vara Federal da Paraíba na Operação Arena.
Wilians é investigado por integrar um suposto esquema que usava empresas no exterior para camuflar a origem e destino de dinheiro de exploração de jogos de azar e apostas esportivas.
Além das buscas, a Justiça autorizou a quebra de sigilo telemático e bancário, além de confiscar até R$ 1,1 bilhão dos alvos. Os mandados são cumpridos na Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná.
A operação da PF também conta com a participação do Ministério Público Federal e da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
O advogado, que vive numa mansão nos Jardins, área nobre de São Paulo, é suspeito de desviar dinheiro de aposentados e pensionistas no escândalo do INSS e de deixar de recolher R$ 3,8 bilhões em impostos.
Se acusados, Wilians e os demais alvos vão responder por evasão de dívidas, lavagem de dinheiro e outros crises contra o sistema financeiro nacional.
Supostos crimes
Em setembro do ano passado, Wilians foi alvo de um desdobramento da Operação Sem Desconto, da PF, que investigava um esquema de descontos indevidos no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Na ação, a PF apreendeu obras de arte, dinheiro em espécie, relógios, armas e carros de luxo, incluindo uma réplica da McLaren MP4/8, modelo dirigido por Ayrton Senna em 1993 na Fórmula 1.
Na época, a defesa dele afirmou que Wilians havia “colaborado integralmente com as autoridades e confia que a apuração demonstrará sua total inocência”.
Antes, o advogado havia sido alvo da Operação Distrato, também da PF. As investigações apontam que escritórios de advocacia e consultorias de Wilians ofereciam às empresas créditos de ICMS com deságio, apresentados como parte de supostos planejamentos tributários, como se tivessem sido regularmente autorizados pelo Fisco.
Após aderir ao esquema, o contribuinte deixava de recolher integralmente o imposto e pagava aos intermediários honorários de êxito que chegavam a 70% do valor dos créditos utilizados.
A ofensiva fiscal dos investigadores expôs a amplitude da fraude. Ao todo, a Secretaria da Fazenda instaurou 874 Ordens de Serviço Fiscal para investigar quase 10 mil lançamentos suspeitos, identificou mais de 850 empresas envolvidas e lavrou 746 autos de infração, que cobram mais de R$ 3,8 bilhões em créditos tributários.
Fonte: R7


