
O que deveria ser uma viagem de intercâmbio esportivo transformou-se em um roteiro de sobrevivência. O treinador brasileiro de Jiu-jitsu, Willian Salvino, enviado ao Irã, viveu horas de terror durante os recentes ataques em Teerã. Em entrevista ao programa Acontecendo, da Rádio Guaíba, ele detalhou a jornada desesperada que incluiu explosões a poucos metros de distância, blecaute de comunicações e uma fuga terrestre arriscada rumo à fronteira turca.
O despertar sob bombardeio
Hospedado a pouco mais de um quilômetro de um dos alvos, o brasileiro sentiu o impacto físico da guerra antes mesmo de compreendê-la. “Foi uma explosão bem tensa, senti chacoalhar as paredes do hotel. Acordei com gritarias, mulheres e pessoas correndo no meio da rua”, relembrou.
Em um intervalo de apenas 90 minutos, um segundo ataque atingiu a região metropolitana, intensificando o pânico. Enquanto tentava contato com a Federação de Judô do Irã para buscar abrigo, o serviço de internet e luz foi cortado, deixando-o completamente incomunicável com sua família no Brasil.
“Pensei que ia morrer”
“Confesso que nas primeiras horas eu pensei que ia morrer”, ressalta. Ao chegar na Turquia, o cenário não era menos caótico. Segundo o brasileiro, a Embaixada do Brasil em Teerã limitou-se a sugerir que ele seguisse para a Armênia ou Turquia por conta própria.
Apelo
Para o brasileiro, a solução de conflitos não se resolvem com a guerra. “Não é jogando bomba, não é matando pessoas que se resolve tudo, independentemente do que essas pessoas são. No meio desse caos, eu só penso em voltar para casa”.
Até o fechamento desta matéria, o treinador permanecia na cidade de Van, na Turquia, aguardando uma vaga em voos comerciais para retornar ao solo brasileiro.
Fonte: Correio do Povo e Rádio Guaíba