
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com ministros nesta quarta-feira, 3, no Palácio do Planalto, para alinhar a resposta do governo às novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.Play Video
Durante encontro, afirmou que “não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil nesta semana”, criticou as justificativas apresentadas por Washington para as medidas e disse ter sido surpreendido pelo anúncio em meio às negociações em andamento entre os dois países.
Durante o pronunciamento, Lula afirmou ainda que o governo brasileiro seguirá defendendo o multilateralismo e a soberania nacional diante da escalada das tensões comerciais entre os dois países.
“A nossa luta para o fortalecimento do multilateralismo, para que esse país não seja tratado em nenhum momento como se fosse uma republiqueta insignificante.”
O presidente também destacou que o Brasil vinha buscando uma solução negociada para as divergências comerciais e criticou as alegações de déficit comercial apresentadas pelos Estados Unidos para justificar parte das medidas.
Surpresa diante do anúncio de novas taxas
Segundo Lula, a reunião ministerial teve como objetivo alinhar a posição do governo diante da crise. De acordo com ele, a mensagem é de que o Brasil não aceitará interferências ou pressões externas.
“O Trump foi eleito pelo povo americano e eu respeito o resultado eleitoral. Eu fui eleito pelo povo brasileiro, e eles têm que respeitar”, disse. “Eu não fui eleito imperador da América Latina, e muito menos o Trump foi eleito imperador do mundo”, continuou.
Lula também afirmou ter sido surpreendido pelo anúncio das possíveis tarifas, já que, segundo ele, ainda está em vigor o prazo de 30 dias acordado entre os dois presidentes em encontro recente para a continuidade das negociações.
“Saí de lá convencido que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento.”
“Traição da pátria”
O presidente ainda criticou brasileiros que, segundo ele, estariam estimulando o conflito entre os dois países por interesses políticos internos.
“É triste que tem brasileiros fomentando essa briga. Na perspectiva de que se ele taxar a gente, vai prejudicar um candidato da República.”
Ao abordar o tema, Lula voltou a mencionar a expressão “traição da pátria”, usada por ele em declarações recentes sobre integrantes da família Bolsonaro. Durante pronunciamento na terça-feira, em um evento em Goiás, Lula disse que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro seriam “traidores” e “piores do que ele”.
Novos parceiros comerciais e disputa por terras raras
O presidente também afirmou que o Brasil buscará novos mercados e parceiros comerciais caso os Estados Unidos reduzam investimentos ou dificultem as relações econômicas.
“Se não quiser investir aqui, vamos procurar outro. O que tem que saber é que o Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano.”
Lula ainda citou a importância estratégica das terras raras e dos minerais críticos brasileiros, afirmando que o país possui ativos considerados essenciais para a economia global.
“Nós resolvemos decidir que esse país não adotará mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Não somos melhor do que ninguém, mas também não somos pior.”
Fonte: Caroline Souza/Correio do Povo