Gol no fim, contra adversário frágil, evita qualquer engano: atuação repetida de um time sem ideia

O resultado foi a única coisa boa e, de certa forma, ainda bem que o gol tenha saído só no fim. Se viesse antes, corria o risco de mascarar um desempenho que foi, no mínimo, muito pobre. A vitória, óbvia, necessária, obrigatória, veio. Mas não pode servir de alívio confortável. Pelo contrário: precisa acender o alerta. O que se viu em campo reforça que, hoje, muito pouca coisa funciona no Grêmio de Luis Castro.
O problema começa na ideia. Diante de um adversário tecnicamente inferior, a escolha por três volantes é difícil de justificar. Mais do que a escalação, é o funcionamento que preocupa. Afundar Noriega entre os zagueiros e deixar a construção com Dodi e Nardoni compromete a fluidez desde a origem. A posse de bola foi ampla, dominante em números, mas absolutamente inócua em produção.
O Grêmio teve a bola, mas não teve o jogo. A insistência por Tete também simboliza a previsibilidade e deficiência ofensiva. Enamorado é titular, ainda que oscile muito. De qualquer forma, por mais que se discuta jogadores, que se elogie Pedro Gabriel, por exemplo, o conjunto não agrada. Falta agressividade, criatividade e, sobretudo, uma ideia clara de como atacar. Quando isso não existe, o domínio territorial vira estatística vazia.
Os jogadores têm, sim, responsabilidade. Mas também é evidente que falta adequação de características, falta encaixe e falta sentido coletivo. Falta uma ideia.
O gol no fim resolve o placar. Mas não resolve o problema.