
O governo do Estado entregou nesta sexta-feira (23) a Licença Prévia (LP) para o Projeto Natureza, da multinacional chilena CMPC, que prevê a instalação de uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro. O documento foi emitido pela Fepam, vinculada à Sema, após análise técnica dos estudos ambientais.
A cerimônia ocorreu no Palácio Piratini com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, do governador Eduardo Leite, e do diretor-geral da CMPC Brasil, Antônio Lacerda.
Considerado o maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul, o projeto prevê aporte de R$ 27 bilhões. Além da fábrica em Barra do Ribeiro – a unidade de Guaíba será mantida – está previsto um terminal próprio para exportação de celulose no Porto de Rio Grande, com R$ 1,5 bilhão em investimentos.
A nova unidade deve produzir 3 milhões de toneladas de celulose branqueada de eucalipto por ano e ter autossuficiência energética, com excedente para a rede nacional. O projeto também prevê a destinação de subprodutos para fertilizantes e a manutenção de um cinturão verde no entorno da fábrica.
Na fase de obras, a projeção é de até 12 mil trabalhadores no pico da implantação. Na operação, são estimados 800 empregos diretos e 1,5 mil terceirizados permanentes.
Em discurso, Alckmin destacou que o empreendimento é estratégico para o RS e para o Brasil. “O país tem vantagens competitivas na silvicultura e precisa transformá-las em mais oportunidades, sempre conciliando desenvolvimento econômico e proteção ambiental”, afirmou.
Leite ressaltou a modernização do ambiente de negócios no Estado desde 2019. “Estamos falando de R$ 27 bilhões em investimentos, com potencial para impulsionar a indústria gaúcha e gerar milhares de empregos. Tudo isso com respeito à legislação e ao meio ambiente”, disse.
O presidente da Fepam, Renato Chagas, afirmou que a licença é resultado de trabalho com rigor e transparência, observando a legislação e as contribuições da sociedade.
O que é a Licença Prévia?
A LP atesta a viabilidade ambiental na fase de planejamento e estabelece condicionantes para as próximas etapas. Ela não autoriza o início das obras. Para isso, a empresa precisará obter a Licença de Instalação (LI), que depende da aprovação dos projetos e medidas de controle ambiental pela Fepam.
O processo incluiu audiência pública em 29 de janeiro de 2026, no Parque Municipal Nenê Naibert, em Barra do Ribeiro, com 1.178 participantes presenciais e 1.376 visualizações online. O prazo para contribuições foi prorrogado até 13 de fevereiro, totalizando 60 dias de manifestações, que integraram a análise.
Está prevista ainda compensação ambiental de 0,5% do valor de referência do empreendimento, conforme o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).

