
Há histórias de negócio que começam atrás de um balcão, num barracão de erva-mate ou numa vila de funcionários cercada de floresta. E há um fio que costura todas elas: a conversa certa, na hora certa, com a pessoa certa. Foi esse fio que o painel “Mulheres na Indústria” que reuniu três empresárias gaúchas cujas trajetórias passam pelo aço, pela folha e pela madeira. A Mercopar é uma realização do Sebrae RS e do Sistema FIERGS e segue até sexta-feira (23/10) no Centro de Feiras e Eventos Festa da Uva, em Caxias do Sul.
O painel foi organizado pelo Comitê de Lideranças Femininas (Colife) do Sistema FIERGS, em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi do Rio Grande do Sul (IEL-RS). Segundo a coordenadora do Colife, Daniela Kramer, foi o segundo ano em que a feira abriu espaço para o comitê montar um painel. Ela explicou o sentido do encontro: “Quando a gente se conecta com alguém que vive um ambiente parecido com o nosso, consegue se espelhar e se sentir mais forte”, disse.
Graziella Isoppo, presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Gravataí (ACIGRA) e fundadora da MOPO Construções Modulares contou que a companhia surgiu em 2020, durante a pandemia, a partir da experiência da Mega Palco, empresa de estruturas metálicas para eventos. Desde então, A MOPO entregou mais de 25 mil metros quadrados de estruturas modulares, e mais de 1,5 milhão de metros quadrados com a Mega Palco. Entre os projetos, ela citou 50 cabanas de hospedagem entregues em 70 dias para a Festa do Peão de Barretos e o Parque das Bergamotas, em São Sebastião do Caí, o primeiro bairro modular do estado, em obra de reconstrução, com escola, batalhão da Polícia Militar e casas previstas. Mesmo com uma trajetória tão longa, Graziella confessa que ser vista como mulher da indústria é uma sensação nova:
Juliana Montagner, fundadora da Mon Jullí e sócia da Ximango Indústria de Erva-Mate, que completa 40 anos em 2026, mostrou como a inovação pode nascer da tradição. Descendente de imigrantes italianos que trabalham com erva-mate desde o bisavô, ela fez um MBA na Itália em gestão de pequenas e médias empresas para a internacionalização, com uma ideia ousada: levar o chimarrão ao mercado europeu , um projeto que acabou não alcançando o sucesso esperado. Mesmo que o plano original tenha falhado, ela seguiu insistindo e migrou para o estudo de chás. Numa feira em Xangai, descobriu que os chás de maior valor usam apenas os brotos de erva-mate, o que a inspirou a criar um produto novo e disruptivo: daí nasceram os chás Green Mate e Black Mate, produtos patenteados que hoje são patenteados em 20 países e premiados internacionalmente.
A terceira história veio de Jaquirana. Viviane Pinto Pereira, diretora de Pessoas e Processos da Caraúno Madeiras e representante da Comissão Unindo Forças, contou que o grupo nasceu em 2012, numa conversa entre mulheres do setor madeireiro, depois de um período de crise. Hoje, a comissão reúne 25 empresas em ações coletivas de qualificação, segurança e boas práticas, e prevê para 2027 um livro com histórias de famílias do setor na cidade.
Viviane deixou a carreira na educação para atuar na empresa da família, que está há 56 anos no mercado, mantém florestas certificadas pelo FSC e administra cerca de 20 mil hectares de floresta, e hoje cuida do processo de sucessão para a terceira geração. “Se a gente pensa na essência das empresas familiares, família e trabalho precisam estar em equilíbrio”, disse. Para ela, a lógica que sustenta a comissão é a mesma do painel. “Eu penso que a gente, sozinho, não consegue muita coisa”, concluiu.

