
A família do agricultor Marcos Nörnberg esteve com o governador Eduardo Leite nesta quinta-feira, no Palácio Piratini. O mandatário recebeu uma carta escrita por Raquel Nörnberg, viúva de Marcos, contendo seu ponto de vista sobre a ação da Brigada Militar que resultou na morte do produtor rural em Pelotas, na madrugada de 15 de janeiro.
“Lamento profundamente que tenha se imposto uma dor para essa família a partir de uma ação do Estado, que está muito focado na redução dos índices criminais, mas, sem dúvida, não pode expor nenhum dos seus cidadãos a risco, como ocorreu com Marcos e seus familiares”, afirmou Eduardo Leite.
O governador também recebeu um abaixo-assinado, solicitando a obrigatoriedade de testes toxicológicos em PMs e uso de câmeras corporais no fardamento. O documento tem mais de 27 mil assinaturas.
“Recebo esse pedido com preocupação sobre a continuidade desse processo. Estabelecemos um plano, garantindo que possamos ter câmeras corporais em todo o território gaúcho. Queremos que isso seja uma política pública. Além disso, vamos revisar a questão dos testes toxicológicos na BM, que é uma medida já existente, mas será revista, caso necessário”, garantiu Eduardo Leite.
Raquel Nörnberg avaliou ter sido bem acolhida no Executivo Estadual. Também disse que não busca apenas a penalização dos envolvidos na morte de seu marido.
“Saio com a esperança de um futuro melhor, com políticas que possam garantir segurança pública para todos. Nosso objetivo não é penalizar ninguém. Apenas queremos que esse e outros casos não fiquem sem resposta”, ponderou Raquel Nörnberg.
Relembre a morte do agricultor
Marcos Nörnberg morreu em diligências na sua propriedade rural, no interior de Pelotas, em 15 de janeiro. A ocorrência somou 18 PMs, todos do 4º Batalhão de Polícia Militar (BPM) e do 5º Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), que permanecem afastados de suas funções. As guarnições acreditavam que criminosos envolvidos em sequestros estariam no terreno.
O caso é investigado na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e em Inquérito Policial Militar (IPM). Nas imagens das câmeras de segurança, é possível ouvir a voz de abordagem, com os militares se identificando como policiais. Depois, há troca de tiros.
Segundo a investigação, o trabalhador teria disparado com carabina contra o efetivo, por pensar que bandidos invadiam o local. Ele sofreu disparos no rosto, pescoço e clavícula. A Polícia Civil apura se houve tiros desferidos em curta distância.