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Exportações de calçados atingem pior resultado desde a pandemia, diz Abicalçados

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Dados elaborados pela Associação Brasileira da Indústria e Comércio de Calçados (Abicalçados), com base nos registros da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), demonstram um quadro preocupante para o setor. Entre janeiro e agosto, foram embarcados ao exterior 62,45 milhões de pares, que geraram US$ 541,45 milhões, quedas de 7,5% em volume e de 16,8% em receita no comparativo com o mesmo período do ano passado. No recorte de agosto, as exportações somaram 7,13 milhões de pares e US$ 70,8 milhões, quedas de 6,6% e 8,1%, respectivamente, ante o mesmo mês de 2025. Tratam-se dos piores resultados desde 2020, ano impactado pela pandemia de Covid-19.

O presidente-executivo da Abicalçados, Haroldo Ferreira, destaca que o movimento de queda está associado, principalmente, às dificuldades com as exportações para os Estados Unidos e para a Argentina. “No acumulado do ano, Estados Unidos e Argentina são responsáveis pela perda de US$ 111 milhões em exportações, em comparação com o mesmo período do ano passado”, ressalta. Segundo Ferreira, apesar dos esforços do setor para a diversificação de destinos, o crescimento em terceiros mercados, em especial da América Latina, não compensou integralmente as perdas nos Estados Unidos e Argentina, os dois principais destinos internacionais das exportações de calçados. “Nos Estados Unidos, seguimos sentindo reflexos do tarifaço, enquanto na Argentina existe uma queda no consumo e uma predominância cada vez maior de calçados provenientes da Ásia, impulsionados pela redução tarifária aos produtos extra-Mercosul ”, completa o executivo.

Destinos

Em agosto, o principal destino do calçado brasileiro no exterior foi os Estados Unidos. No mês, foram embarcados para lá 1,13 milhão de pares, que geraram US$ 19,42 milhões. O volume ficou 40,5% acima do registrado no mesmo mês de 2025, enquanto a receita sofreu retração de 9,2%. Em agosto, o preço médio do calçado embarcado para os Estados Unidos caiu 35,4%, para US$ 17,20, “movimento que está associado à maior retração de categorias de maior valor unitário, especialmente calçados de couro, e à mudança do perfil das vendas para o mercado, além da baixa base de comparação do mês de agosto do ano passado”, analisa Ferreira. No acumulado do ano, as exportações para os Estados Unidos somaram 7,38 milhões de pares e US$ 120,5 milhões, quedas de 4,1% em volume e de 22,8% em receita no comparativo com o mesmo período de 2025.

O principal exportador de calçados do Brasil segue sendo o Rio Grande do Sul. Em agosto, partiram das fábricas gaúchas 2,46 milhões de pares, que geraram US$ 34,95 milhões, quedas de 14,7% em volume e de 16,6% em receita no comparativo com o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, as exportações gaúchas somaram 22 milhões de pares e US$ 269,54 milhões, incremento de 3,2% em volume e queda de 14,4% em receita no comparativo com o mesmo intervalo de 2025.

Importações seguem pressionando setor

As importações de calçados, em especial provenientes da Ásia, seguem pressionando a produção nacional. Os dados apontam que, entre janeiro e agosto, entraram no Brasil 33 milhões de pares por US$ 429,7 milhões, incrementos tanto em volume (+9,6%) quanto em receita (+11%) em relação ao mesmo ínterim de 2025.

As principais origens do calçado brasileiro seguem sendo os países asiáticos China, Vietnã e Indonésia, que respondem por cerca de 8 de cada dez pares importados pelo Brasil. No acumulado do ano, as importações provenientes da China somaram 10,28 milhões de pares e US$ 33,7 milhões, incrementos de 21,7% e 8,1%, respectivamente, no comparativo com o mesmo período do ano passado.

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