
A fatia de pessoas investidoras cresceu de 31% para 36% da população nos últimos cinco anos, com leve recuo ante 2024, quando o percentual era de 37%. Em 2025, o equivalente a 60,6 milhões de brasileiros e brasileiras declararam ter dinheiro aplicado em produtos financeiros. É o que mostra a 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, uma análise sobre reserva financeira da população, e que mostra que um terço das pessoas (31%) não tem dinheiro guardado para gastos imprevistos, e divulgado pela Associação Brasileira da Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Entre a fatia de 69% que afirma ter reserva, o alerta está na duração: 43% consumiriam tudo em até seis meses. Pelo quinto ano consecutivo, o YouTube é o canal mais citado pelas pessoas investidoras para se informar sobre produtos financeiros (35%), seguido pelo Instagram (27%). A televisão caiu de 34% para 21% das menções em cinco anos. E uma novidade da nova edição: 9% dos investidores já usam assistentes de inteligência artificial para buscar informações — mais do que Facebook, e-mail, TikTok e rádio. Entre quem usa IA destacam-se as pessoas mais jovens (49% pertencem à Geração Z), de maior renda (58% estão na classe AB) e que tendem diversificar mais os investimentos (77% estão no perfil Diversifica).
Pelo estudo, apenas 21% da população afirma já ter participado de algum tipo de aula, curso, treinamento ou palestra sobre educação financeira. Entre os investidores, essa proporção sobe para 33% (e cai para 14% entre as pessoas que ainda não investem). Os efeitos práticos da educação financeira são confirmados pelos dados: 39% de quem já participou de cursos ou palestras têm perfil de investimento diversificado, muito acima da média da população (17%).
Em mais uma novidade da 9ª edição do Raio X, 34% da população afirmou ter passado por ao menos uma situação golpe ou fraude envolvendo questões financeiras. A incidência é maior entre investidores (42%) e na classe AB, possivelmente pelo maior uso de canais digitais e serviços financeiros. A adesão às apostas online cresceu de 14% para 17% da população em três anos. Ganhar dinheiro rápido em momentos de necessidade continua sendo a principal motivação (39%), mas a visão recreativa avança — 32% das pessoas que apostam dizem ter o hábito por diversão, ante 26% nas duas edições anteriores.