
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira, uma operação para desarticular um esquema de venda de diplomas falsos e falsificação de documentos usados para ingresso em faculdades de Medicina e obtenção de registro profissional. A investigação começou em 2023, após a apresentação ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) de um diploma falso que teria sido fornecido por um dos investigados.
A apuração apontou indícios de que o esquema tinha ramificações em outros estados. Nesta quarta-feira, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, além de dois mandados de prisão preventiva e um de prisão temporária, nas cidades mineiras de Montes Claros e Bocaiuva e nas cidades baianas de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães. Três pessoas foram presas.
As investigações identificaram movimentações financeiras entre os investigados e pessoas que teriam adquirido documentos falsificados. Segundo a PF, pelo menos 45 pessoas já registradas em Conselhos Regionais de Medicina teriam pago ao grupo para obter documentos falsos usados na obtenção ou regularização do registro profissional.
Falsa médica foi presa em flagrante em 2023
De acordo com o Cremers, o caso citado pela Polícia Federal envolve uma mulher de 33 anos que atuava como médica em Cacique Doble, na região Nordeste do Estado. Natural do Acre, a falsa médica tinha um diploma falsificado de Medicina do Centro Universitário Funorte, de Montes Claros (MG).
Em 15 de setembro de 2023, a mulher apresentou o documento falsificado na Secretaria Operacional do Cremers, responsável pela expedição de documentos dos médicos, para obter o registro profissional. Durante a conferência, a equipe identificou a fraude e, em uma ação conjunta com a Polícia Federal, ela foi presa em flagrante.
Segundo o Cremers, o diploma indicava que a mulher havia se formado em 1º de fevereiro de 2023. No entanto, ela atuava desde 2017 em comunidades indígenas de Cacique Doble por meio do Programa Mais Médicos e se apresentava na internet como especialista em Saúde da Família e Comunidade.
Após entrar em contato com outros CRMs, o Cremers identificou outros nove diplomas falsos da mesma instituição. Os documentos teriam sido usados em tentativas de obtenção de registro profissional na Bahia, no Maranhão, em São Paulo e no Tocantins. Segundo o conselho, o grupo chegou a criar um endereço de e-mail falso da universidade para encaminhar documentos aos Conselhos.
Entenda o esquema
De acordo com a Polícia Federal, o grupo falsificava diplomas, históricos escolares e outros documentos acadêmicos para viabilizar o ingresso ou a transferência de estudantes para cursos de Medicina. Os documentos também seriam utilizados posteriormente para a obtenção de registro profissional nos Conselhos Regionais de Medicina (CRM).
As fraudes ocorriam, segundo a investigação, de duas formas. Em uma delas, eram falsificados diplomas apresentados aos CRMs para a obtenção do registro profissional. Na outra, documentos de ensino superior eram adulterados para simular transferências entre instituições, permitindo que estudantes ingressassem diretamente em cursos já em andamento, inclusive nos períodos finais da graduação.
A PF dará prosseguimento às diligências para investigar as pessoas que eventualmente tenham contratado ou utilizado os serviços oferecidos pelo grupo criminoso.
Investigado envolvido em fraude no Enem
O principal investigado já havia sido alvo de outra investigação da Polícia Federal, em 2016, quando foi identificada uma organização criminosa envolvida em fraude ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
À época, a apuração revelou um esquema que recrutava professores e estudantes para realizar as provas e transmitir, por meio de dispositivos eletrônicos, os gabaritos a candidatos que pagavam valores elevados para obter vantagem no certame. A investigação alcançou três estados e resultou na prisão de integrantes da organização.
Fonte: Camila Mendes / Correio do Povo


