Após análises sensoriais colocarem em dúvida a classificação de azeites de marcas conhecidas do mercado brasileiro, a Prosperato explica por que o consumidor não deve escolher o produto apenas pela acidez indicada no rótulo. As recentes análises sensoriais realizadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) em azeites comercializados no Brasil reacenderam uma discussão importante sobre a classificação dos azeites vendidos como extra virgens.
Resultados divulgados pela imprensa apontaram que amostras de azeites de marcas amplamente conhecidas pelo consumidor, comercializadas como “extra virgem”, apresentaram defeitos sensoriais incompatíveis com essa categoria. Parte das amostras foi classificada como azeite virgem e outras chegaram a receber classificação de lampante, que seria impróprio para consumo.
O MAPA informou que os resultados ainda passam pelos procedimentos de validação previstos em lei e que as empresas responsáveis pelos produtos têm direito à realização de análises periciais e contraprovas. Para Rafael Marchetti, diretor e mestre de lagar da Prosperato, o episódio chama a atenção para um ponto que a empresa aborda há anos: a acidez, embora seja um parâmetro químico necessário para a classificação do azeite, não deve ser utilizada isoladamente pelo consumidor como sinônimo de qualidade.
“Durante muito tempo, criou-se no consumidor a ideia de que basta olhar a acidez no rótulo e escolher o menor número. Nós falamos há anos que não é bem assim. A acidez é apenas um dos parâmetros avaliados. Um azeite pode apresentar uma acidez muito baixa e, ainda assim, possuir um defeito sensorial que impeça sua classificação como extra virgem”, explica Marchetti, que trabalha diariamente com produção e avaliação de azeites há mais de 15 anos.
Para que um azeite seja classificado como extra virgem, não basta atender aos limites estabelecidos nas análises físico-químicas. Ele também precisa atender aos requisitos da análise sensorial, que obriga a ausência de defeitos e a presença de atributo frutado. “É justamente por isso que essas análises recentes são tão importantes. Em alguns casos, foi a avaliação sensorial que revelou que azeites comercializados como extra virgem não correspondiam sensorialmente a essa classificação. Isso demonstra de forma muito clara porque não podemos resumir a qualidade de um azeite a um número depois da vírgula”, afirma.
Segundo Marchetti, outro equívoco comum é relacionar a acidez indicada no rótulo à sensação de acidez percebida na boca. “A acidez livre do azeite não é algo que o consumidor perceba como um sabor ácido. Quando alguém prova um azeite e percebe amargor ou picância, que são atributos positivos, isso não significa que o produto tenha uma acidez elevada. São conceitos completamente diferentes.”
O que observar ao escolher um azeite:
- Indicação da safra
- Indicação das variedades
- Origem claramente identificada
- Descrição sensorial
- Embalagens escuras ou totalmente opacas
- Não escolha pela cor


