
Reconhecida entre as melhores universidades do país, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) ultrapassa as fronteiras do Estado na disputa por uma vaga. A qualidade acadêmica e a tradição em pesquisa fazem da instituição um dos destinos procurados por estudantes de diferentes regiões do Brasil. Para quem mora fora do Rio Grande do Sul, o desafio inclui até mesmo se deslocar para o Estado para realizar a prova, já que a UFRGS não aplica o vestibular em outros estados. (UFRGS)
A posição da universidade nos rankings ajuda a explicar a atração nacional. No Center for World University Rankings (CWUR) 2026, a UFRGS aparece como a quarta melhor universidade brasileira, atrás somente de USP, UFRJ e Unicamp. No cenário mundial, ocupa a 476ª posição entre 21.291 instituições avaliadas. O levantamento considera indicadores de qualidade da educação, empregabilidade, corpo docente e pesquisa.
A universidade também vem se destacando em outros levantamentos internacionais. No NTU Ranking 2026, da National Taiwan University, a UFRGS avançou para a segunda posição entre as universidades brasileiras e primeira entre as federais, ficando na faixa entre as 32% melhores universidades do mundo.
É nesse cenário de crescente concorrência pelas universidades de excelência que os estudantes começam a definir suas estratégias para os vestibulares de 2026 e 2027. E a orientação de especialistas é clara no sentido de que não basta estudar muito. É preciso estudar de acordo com a prova, o curso e a universidade pretendida.
Para a professora Carina Falcão, CEO do Grupo LAB, do Rio Grande do Sul, uma das principais mudanças na preparação dos vestibulandos é justamente deixar de lado uma preparação genérica.
“O estudante precisa conhecer a prova que vai fazer. Cada universidade tem um perfil, uma forma de cobrar o conteúdo e uma estratégia de resolução. Quanto mais o aluno conhece esse modelo, mais consegue transformar o conhecimento em acerto no dia da prova”, explica Carina.
A especialista recomenda que o candidato comece identificando as universidades e os cursos que pretende disputar e, a partir daí, monte uma preparação que contemple os conteúdos comuns, mas também as características específicas de cada processo seletivo.
UFRGS muda vestibular e amplia circuito de provas
O Vestibular UFRGS 2027 terá 4.058 vagas em 98 cursos. As inscrições começam em 24 de agosto e seguem até 21 de setembro. As provas serão realizadas nos dias 28 e 29 de novembro.
Entre as novidades está a inclusão de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, entre os municípios de aplicação. A prova também será realizada em Porto Alegre, em Canoas, Gravataí, Novo Hamburgo, na região metropolitana de Porto Alegre, e Tramandaí, no litoral.
A universidade alterou ainda a distribuição das disciplinas entre os dois dias de prova e o horário de início do exame. Serão nove provas objetivas, com 15 questões cada, além da redação.
Para quem está se preparando, a mudança reforça a importância de acompanhar o edital e não estudar apenas com base em provas de anos anteriores.
“O edital precisa ser o ponto de partida. Depois, o candidato deve olhar para as provas anteriores e entender quais conteúdos são mais recorrentes, como as questões são construídas e onde estão seus próprios pontos fracos”, afirma Carina.
Como estudar para as universidades mais concorridas
A estratégia pode ser especialmente importante para estudantes que pretendem prestar mais de um vestibular. USP, Unicamp, UFRGS, UFMG, UFRJ e Unesp estão entre as instituições brasileiras mais bem posicionadas nos rankings nacionais e internacionais, mas utilizam modelos diferentes de seleção.
A preparação, segundo Carina, deve combinar conteúdo, resolução de questões e análise de desempenho.
“Fazer questão sem analisar o erro não é suficiente. O erro mostra exatamente onde o estudante precisa investir tempo. É a partir dele que o estudo se torna personalizado”, explica.
A professora também recomenda que o estudante faça simulados reproduzindo as condições reais do exame, inclusive com controle de tempo. Para cursos muito concorridos, a gestão do tempo pode ser decisiva.
Outro ponto é a redação. Em vez de concentrar a preparação nas semanas que antecedem as provas, a orientação é criar uma rotina de produção, correção e reescrita.
Enem é outra porta para as universidades públicas
A estratégia de quem busca uma vaga nas melhores universidades também não precisa se restringir ao vestibular tradicional.
O Enem pode ampliar as possibilidades de ingresso, inclusive porque diversas universidades federais utilizam o desempenho no exame por meio do Sisu. Na UFRGS, por exemplo, parte das vagas é destinada ao ingresso via Sisu.
“O Enem não deve ser tratado como plano B. Ele é uma porta de entrada importante para as universidades públicas e precisa estar dentro da estratégia do estudante desde o início”, afirma Carina.
A recomendação é aproveitar a preparação comum entre os exames, mas reservar momentos específicos para treinar os formatos de cada prova. Enquanto a UFRGS possui um modelo próprio, o Enem exige domínio das competências e habilidades previstas na matriz da avaliação, além de uma estratégia específica de gerenciamento de tempo.
Para Carina Falcão, a preparação para as melhores universidades precisa ser encarada como um projeto de longo prazo, mas sem transformar o número de horas estudadas no único indicador de desempenho.
“Não é necessariamente quem estuda mais horas que passa. É quem consegue fazer um estudo consistente, direcionado e inteligente, entendendo o que a prova exige e usando os próprios resultados para ajustar a preparação”, afirma.
Cinco passos para quem quer uma vaga em uma universidade de ponta
- Escolher o curso e as universidades-alvo
Antes de montar o cronograma, o estudante precisa saber quais processos seletivos pretende enfrentar. - Estudar os editais
É o edital que define conteúdos, formato, calendário e critérios de seleção. - Resolver provas anteriores
Mais do que testar conhecimento, as provas permitem identificar o estilo de cobrança de cada universidade. - Transformar erros em plano de estudo
O desempenho deve orientar a revisão. Conteúdos em que o estudante apresenta baixo aproveitamento precisam receber atenção prioritária. - Preparar-se para diferentes portas de entrada
Vestibular tradicional e Enem podem fazer parte de uma mesma estratégia, ampliando as possibilidades de aprovação.


