
O temporal que atingiu Eldorado do Sul, na região Metropolitana de Porto Alegre, por volta das cinco horas da manhã de sábado deixou ao menos 640 pessoas desalojadas, de acordo com a Defesa Civil do município. A prefeitura da cidade decretou situação de emergência no mesmo dia.
Já no fim da tarde de domingo, o cenário na região do Parque Eldorado, zona rural da cidade, era de reconstrução. Ao todo, 160 casas foram destelhadas. As famílias afetadas pelo temporal começaram a receber as cerca de 1.700 telhas entregues pela Defesa Civil para auxiliar na reconstrução do telhado de imóveis atingidos pelo evento climático.
A família de seis irmãos da moradora da avenida Sesmaria dos Farrapos, Patrícia Tavares, foi uma das que receberam ajuda nesta tarde. Ela conta que esta é a terceira vez que a casa é destruída por uma chuva de granizo, mas que, desta vez, a intensidade impressionou.
“As pedras eram muito pequenininhas, mas a quantidade era tanta que formaram blocos grandes. Foi a quantidade que estourou o telhado e o vento que levantou as telhas”.
A moradora relembra que, apesar da intensidade, a chuva de granizo na madrugada de sábado foi rápida.
“Durou coisa de minutos, mas foi muito intenso. Se tivesse durado mais tempo, não teria sobrado nada. O barulho era tão intenso que parecia que o telhado ia desabar. A gente só pensava em se proteger.”
De acordo com ela, o vento que vinha de todos os lados levantou as telhas e parte da estrutura de madeira do telhado da construção. Além da casa, o galpão onde a família cria animais também foi destruído.
Já na residência da família de Roseli Rodrigues, a previsão era de que as telhas cheguem na segunda-feira. “Caía pedra inteira, enorme. Parecia um pedaço de asfalto”, conta a moradora que além das perdas materiais perdeu um cachorro, o Toquinho, que morreu após ser atingido por uma das pedras de gelo. Sem energia elétrica desde a madrugada de sábado, a família também perdeu todos os alimentos refrigerados. Além disso, os mantimentos armazenados em um armário foram danificados após o móvel desabar.
De acordo com a Defesa Civil, pelo menos 15 postes e trechos da rede elétrica foram danificados. Mário Rocha, coordenador municipal de Defesa Civil, afirma que o abastecimento de água e o fornecimento de energia já haviam sido restabelecidos em cerca de metade dos locais atingidos no final da tarde de domingo. Ainda segundo ele, colchões e cobertores foram entregues e, a partir de segunda-feira, começara a distribuição de alimentos às famílias afetadas.
Já o secretário de Obras do município, Jorge Rossi, afirma que a prioridade é desobstruir as vias, removendo as mais de 50 árvores caídas para permitir que a CEEE conclua o restabelecimento da energia elétrica.
Santuário destruído
Ainda na Avenida Sesmaria dos Farrapos, o Santuário Voz Animal, que abriga cerca de 300 animais resgatados de situações de maus-tratos, foi destruído apenas seis meses após um incêndio atingir a sede da instituição. Desta vez, segundo a fundadora, Fernanda Ellwanger, os danos foram generalizados.
“Agora foi o sítio todo. Quando chegamos aqui sábado, não sabíamos nem por onde começar.”
O local, que abriga cães, gatos, aves, porcos, vacas, cavalos, bode, ovelhas e uma jumenta, teve diversas árvores derrubadas, além de canis e galinheiros destelhados. De acordo com Fernanda, nenhum dos animais que moram no local ficaram feridos, mas o susto foi grande: a gata Dora, que vive sobre o galinheiro, foi encontrada entre os destroços e um dos cachorros ficou preso entre os galhos de uma árvore caída.
Ela explica que, mesmo com as cobertas dos cães guardadas dentro das casinhas, que ficam em canis cobertos, tudo ficou encharcado: “O vento foi tanto que a água vinha de todos os lados”
Para substituir o que foi perdido, o santuário fez uma campanha de arrecadação na internet, que permitiu a compra dos primeiros materiais.
“Compramos, como medida emergencial, um pouco de telha, um pouco de cerca e um pouco de cobertura para as casinhas. Mas isso não supre a necessidade.”
Fonte: Camila Mendes / Correio do Povo


